Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um homem de 36 anos de idade foi ao pronto-socorro de um hospital secundário, referindo história de epigastralgia esporádica. No momento, tem dor, de início nas últimas doze horas. A dor é em cólica e atualmente predomina no quadrante superior direito do abdômen, associada à náusea discreta. Ao exame físico, tem percussão dolorosa do quadrante superior direito e dor no andar superior do abdômen. Realizou exames laboratoriais, que evidenciaram: hemoglobina 14,4 g/dL (referência 12 a 16 g/dL); leucócitos 16.530/microL, com desvio à esquerda (referência 3.500 a 11.000/microL); PCR 2 mg/L (referência 1.3 mg/L); bilirrubina total 1.8 mg/dL (referência até 2 mg/dL); e fosfatase alcalina e gama-GT normais. Foi solicitado US do abdômen superior, que identificou apenas vesícula biliar hiperdistendida, com cálculo imóvel no infundíbulo. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta quanto às opções terapêuticas.
Colecistite aguda: dor QSD, leucocitose, US com cálculo impactado → Colecistectomia precoce.
O caso descreve um quadro clássico de colecistite aguda, com dor no quadrante superior direito, leucocitose e ultrassonografia evidenciando cálculo no infundíbulo. A colecistectomia é o tratamento definitivo e deve ser realizada precocemente, preferencialmente por via laparoscópica, mas a via aberta é uma opção válida se a laparoscopia for contraindicada ou inviável.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma condição comum que requer atenção médica imediata e é um tema frequente em provas de residência. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres, multíparas e pacientes com obesidade ou perda rápida de peso. O diagnóstico é baseado na tríade de dor no quadrante superior direito, febre e leucocitose, complementado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia o método de escolha. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco para colelitíase. A diferenciação com outras causas de dor abdominal superior é fundamental. O tratamento padrão-ouro é a colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica, realizada precocemente. A antibioticoterapia é indicada para cobrir germes entéricos. Em casos de pacientes de alto risco cirúrgico, a colecistostomia percutânea pode ser uma alternativa temporária. O prognóstico é geralmente excelente com o tratamento adequado.
Os principais sinais e sintomas incluem dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome (Murphy positivo), náuseas, vômitos e febre. A dor pode irradiar para o ombro direito ou dorso.
A colecistectomia é o tratamento definitivo e é indicada para a maioria dos pacientes com colecistite aguda. Preferencialmente, deve ser realizada precocemente, dentro de 24 a 72 horas do início dos sintomas, para reduzir complicações.
A ultrassonografia é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico, evidenciando cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e, frequentemente, o sinal de Murphy ultrassonográfico.
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