Colecistostomia Percutânea: Tratamento de Colecistite em Críticos

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma senhora de 81 anos de idade está internada há 5 dias em tratamento de choque séptico, por pneumonia aspirativa. Teve necessidade de ventilação mecânica, diálise e droga vasoativa. Hoje, apresentou distensão abdominal e piora hemodinâmica e da função renal. O ultrassom mostrou vesícula biliar distendida, com paredes espessadas e cálculo impactado no infundíbulo. Leucócitos: 18.500/mm³. Amilase: 100 U/L, bilirrubina total: 2,5 mg/dL, TGO: 100 U/L, FA: 250 U/L. A abordagem deve ser:

Alternativas

  1. A) CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica).
  2. B) Colecistostomia guiada por ultrassom.
  3. C) Colecistectomia aberta. 
  4. D) Colecistectomia por laparoscopia.
  5. E) Antibioticoterapia exclusiva. 

Pérola Clínica

Colecistite em paciente crítico instável = colecistostomia percutânea é a melhor opção para descompressão.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos e gravemente enfermos, como no caso de choque séptico e falência de múltiplos órgãos, a colecistostomia percutânea guiada por ultrassom oferece uma descompressão biliar eficaz e menos invasiva do que a colecistectomia, sendo a escolha preferencial para estabilização.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo (colecistite calculosa) ou, menos frequentemente, por isquemia ou estase biliar em pacientes gravemente enfermos (colecistite alitiásica). Em pacientes críticos, como idosos com choque séptico e falência de múltiplos órgãos, a apresentação pode ser atípica e o risco cirúrgico para uma colecistectomia tradicional é extremamente elevado. O diagnóstico da colecistite aguda baseia-se na clínica (dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose), exames laboratoriais (elevação de marcadores inflamatórios e hepáticos) e, principalmente, exames de imagem como o ultrassom abdominal, que pode revelar distensão da vesícula, espessamento da parede, líquido perivesicular e cálculos. No caso descrito, a presença de cálculo impactado e a condição crítica da paciente corroboram o diagnóstico. Em pacientes instáveis e com alto risco cirúrgico, a colecistostomia percutânea guiada por ultrassom ou tomografia é a abordagem de escolha. Este procedimento minimamente invasivo permite a drenagem da vesícula biliar, aliviando a inflamação e a sepse, sem a necessidade de uma cirurgia maior. A colecistectomia (aberta ou laparoscópica) é o tratamento definitivo, mas deve ser postergada até a estabilização clínica do paciente, ou considerada apenas se a colecistostomia falhar ou não for viável.

Perguntas Frequentes

Quando a colecistostomia percutânea é indicada para colecistite aguda?

A colecistostomia percutânea é indicada para pacientes com colecistite aguda que apresentam alto risco cirúrgico para colecistectomia, como idosos, pacientes em choque séptico, com múltiplas comorbidades ou falência de órgãos, visando a descompressão biliar e estabilização clínica.

Quais são as vantagens da colecistostomia percutânea em pacientes críticos?

As vantagens incluem ser um procedimento minimamente invasivo, que pode ser realizado à beira do leito sob anestesia local, com menor risco de complicações e menor impacto hemodinâmico em pacientes instáveis, permitindo a drenagem da vesícula biliar e o controle da sepse.

A colecistostomia percutânea é um tratamento definitivo para colecistite?

Não, a colecistostomia percutânea é geralmente uma medida temporária para estabilizar o paciente. Após a melhora clínica, a colecistectomia definitiva pode ser considerada em um segundo momento, quando o paciente estiver em melhores condições cirúrgicas.

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