Colecistite em Paciente Crítico: Quando Indicar Drenagem?

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 76 anos está internada em unidade intensiva devido à pneumonia bacteriana. Evoluiu há um dia com dor abdominal inespecífica, mais acentuada no abdome superior. Ao exame físico: regular estado geral; confusa; FC 90 bpm; PA 90 x 60 mmHg (uso de noradrenalina), Sat.O₂ 92% (máscara de oxigênio); FR 22 irpm. Abdome: distensão abdominal difusa e dor mais intensa em hipocôndrio direito. Exames laboratoriais: Hb 11,5 g/dl; leucócitos 19.500/mm3; creatinina: 2,7 mg/dL; ureia: 98 mg/dL; PCR: 170 mg/dL; TGO: 125 U/L; TGP: 160 U/L; FA: 230; GGT: 198; bilirrubina total: 3,8. Calculado o escore de APACHE2: 19. Realizada tomografia de abdome que evidenciou distensão da vesícula biliar com borramento e densificação dos planos adjacentes, bile espessa e cálculo de 1 cm no infundíbulo, sem dilatação da via biliar. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Colangiografia endoscópica retrógrada com papilotomia.
  2. B) Colecistectomia por laparotomia com colangiografia.
  3. C) Colecistectomia laparoscópica com colangiografia.
  4. D) Drenagem percutânea trans-hepática da vesícula biliar.
  5. E) Colecistectomia aberta com colangiografia.

Pérola Clínica

Paciente crítico com colecistite aguda e instabilidade hemodinâmica → Colecistostomia percutânea como ponte para cirurgia.

Resumo-Chave

Em pacientes com colecistite aguda que são maus candidatos cirúrgicos devido à instabilidade hemodinâmica ou comorbidades graves, a colecistostomia percutânea é o procedimento de escolha. Ela controla o foco infeccioso com baixa morbidade, permitindo a estabilização clínica antes da colecistectomia definitiva.

Contexto Educacional

A colecistite aguda em pacientes críticos internados em unidades de terapia intensiva é uma condição grave, frequentemente associada à sepse e disfunção de múltiplos órgãos. Muitas vezes, ocorre na forma alitiásica, relacionada à estase biliar e isquemia da parede da vesícula em pacientes em jejum prolongado, nutrição parenteral ou em choque. O diagnóstico pode ser desafiador, pois os sintomas clássicos podem estar ausentes ou mascarados pela sedação ou pela condição de base. O manejo desses pacientes é um desafio, pois eles são considerados de alto risco cirúrgico devido à instabilidade hemodinâmica e comorbidades. A colecistectomia de urgência, seja por via laparoscópica ou aberta, carrega uma morbimortalidade proibitiva nesse cenário. A avaliação do risco com escores como o APACHE II ajuda a objetivar a gravidade e a guiar a decisão terapêutica. A conduta padrão-ouro para o controle do foco infeccioso em pacientes instáveis é a colecistostomia percutânea trans-hepática. Este procedimento minimamente invasivo, guiado por ultrassom ou tomografia, permite a drenagem do conteúdo purulento da vesícula, aliviando a pressão e controlando a sepse. Após a estabilização clínica do paciente, a colecistectomia pode ser realizada de forma eletiva, em melhores condições cirúrgicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de colecistite aguda em um paciente crítico na UTI?

Os sinais podem ser sutis e inespecíficos, como febre, leucocitose, piora da função orgânica (renal, respiratória), necessidade crescente de vasopressores e dor abdominal difusa ou localizada no hipocôndrio direito. A ultrassonografia ou TC de abdome é fundamental para o diagnóstico.

Qual a conduta para um paciente com colecistite aguda e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial é a estabilização clínica com ressuscitação volêmica, antibióticos de largo espectro e suporte com vasopressores. O controle do foco infeccioso deve ser feito com colecistostomia percutânea guiada por imagem, um procedimento menos invasivo que a cirurgia de urgência.

A colecistostomia é um tratamento definitivo para a colecistite?

Não, a colecistostomia é uma medida temporária, funcionando como uma 'ponte para a cirurgia'. Após a resolução do quadro agudo e a melhora clínica do paciente, a colecistectomia (retirada da vesícula) deve ser programada para evitar recorrências e tratar a doença de base.

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