Colecistite Aguda em Paciente Crítico: Drenagem Percutânea

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

João, 75 anos de idade, está internado em UTI de Hospital Terciário devido a pneumonia bacteriana. Evoluiu há 1 dia com dor abdominal inespecífica, mais acentuada no abdome superior. Ao exame físico: Regular estado geral, confuso, FC: 90bpm; PA: 90 x 60 mmHg (uso de noradrenalina), Sat.O2: 92% (máscara de oxigênio), FR: 22 ipm. Abdome: distensão abdominal difusa e dor mais intensa em hipocôndrio direito. Exames laboratoriais: Hb 11,5g/dL; Leucócitos 19.500 mm³; Creatinina: 2,7 mg/dL; Ureia: 98 mg/dL; PCR 170 mg/dL; TGO 125U/L; TGP 160 U/L; FA: 230; GGT: 198; Bilirrubina total: 3,8. Calculado o escore de APACHE2: 19. Realizada tomografia de abdome que evidenciou distensão da vesícula biliar com borramento e densíficação dos planos adjacentes, bile espessa e cálculo de 1 cm no infundíbulo, sem dilatação da via biliar. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Colangiografia endoscópica retrôgrada com papilotomia.
  2. B) Colecistectomia por laparotomia com colangiografia.
  3. C) Drenagem percutânea transhepática da vesícula biliar.
  4. D) Colecistectomia laparoscópica com colangiografia.
  5. E) Antibioticoterapia e conduta expectante.

Pérola Clínica

Paciente crítico, séptico, com colecistite aguda e alto risco cirúrgico → drenagem percutânea da vesícula biliar é a conduta inicial.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de colecistite aguda (distensão da vesícula, borramento, dor em HD, leucocitose, inflamação sistêmica) em contexto de sepse e instabilidade hemodinâmica (uso de noradrenalina, APACHE2 elevado). Nesses casos de alto risco cirúrgico, a drenagem percutânea da vesícula biliar é a medida mais segura para controle do foco infeccioso.

Contexto Educacional

A colecistite aguda em pacientes críticos, especialmente aqueles em unidades de terapia intensiva com sepse ou choque, representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo. Nesses pacientes, a apresentação clínica pode ser atípica, e a condição frequentemente se associa a uma alta morbimortalidade. A colecistite pode ser litiásica (com cálculos, como no caso apresentado) ou alitiásica, sendo esta última mais comum em pacientes graves. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, que podem evidenciar distensão da vesícula, espessamento da parede, líquido perivesicular e borramento dos planos adjacentes. Em pacientes críticos e instáveis, a prioridade é o controle do foco infeccioso e a estabilização hemodinâmica. A colecistectomia, seja laparoscópica ou aberta, é o tratamento definitivo, mas carrega um risco cirúrgico muito elevado em pacientes com alto APACHE2 e em uso de vasopressores. Nesse cenário, a drenagem percutânea transhepática da vesícula biliar (colecistostomia percutânea) surge como a conduta mais adequada. É um procedimento minimamente invasivo que permite a descompressão da vesícula, a drenagem da bile infectada e o controle do processo inflamatório, servindo como uma ponte segura para a estabilização do paciente. Uma vez estabilizado, a colecistectomia pode ser realizada de forma eletiva, com riscos significativamente menores.

Perguntas Frequentes

Quando considerar a drenagem percutânea na colecistite aguda?

A drenagem percutânea da vesícula biliar é indicada para pacientes com colecistite aguda que apresentam alto risco cirúrgico, como idosos, pacientes com comorbidades graves, sepse, choque ou instabilidade hemodinâmica, visando o controle da infecção antes de uma cirurgia definitiva.

Quais são os sinais de colecistite aguda em paciente crítico?

Em pacientes críticos, os sinais podem ser atípicos, mas incluem dor abdominal (especialmente em hipocôndrio direito), distensão abdominal, febre, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. Exames de imagem, como ultrassonografia ou TC, confirmam a inflamação da vesícula.

Por que a colecistectomia não é a primeira opção em pacientes instáveis com colecistite?

A colecistectomia em pacientes instáveis e sépticos apresenta um risco muito elevado de morbimortalidade perioperatória. A drenagem percutânea oferece um método menos invasivo para descompressão e controle do foco infeccioso, permitindo a estabilização do paciente para uma cirurgia eletiva posterior, se necessária.

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