UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 43 anos de idade, sobrepeso, passado de 4 gestações e diagnóstico prévio de colelitíase deu entrada na urgência com quadro de dor abdominal epigástrica com irradiação para o hipocôndrio direito e dorso, de forte intensidade há 16 horas. Refere associação de náuseas, vômitos e escurecimento da urina compatível com colúria. Nega febre e calafrios. Ao exame físico, apresenta icterícia (1+/4+) e sinal de Murphy positivo. Em relação ao diagnóstico e manejo dessa paciente, assinale a assertiva CORRETA:
Dor HD + Murphy + icterícia + colúria → Colecistite aguda + Coledocolitíase/Pancreatite biliar (não excluídas).
A paciente apresenta sintomas clássicos de colecistite aguda (dor em HD, Murphy positivo), mas a icterícia e colúria sugerem obstrução biliar, levantando a suspeita de coledocolitíase. A irradiação para o dorso também pode indicar pancreatite biliar. Exames complementares são essenciais para diferenciar.
A paciente apresenta um quadro clínico complexo, com fatores de risco clássicos para doença biliar (mulher, 40 anos, sobrepeso, multípara - "quatro Fs": female, forty, fat, fertile). A dor epigástrica com irradiação para o hipocôndrio direito e dorso, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo são altamente sugestivos de colecistite aguda litiásica, uma inflamação da vesícula biliar causada por obstrução do ducto cístico por um cálculo. No entanto, a presença de icterícia (1+/4+) e colúria indica uma obstrução biliar mais proximal, provavelmente no ducto colédoco, o que levanta a forte suspeita de coledocolitíase. A irradiação da dor para o dorso, embora comum na colecistite, também pode ser um sinal de pancreatite aguda, especialmente se for de origem biliar (causada por um cálculo impactado na ampola de Vater). Dada a sobreposição dos sintomas e a possibilidade de múltiplas condições coexistentes (colecistite + coledocolitíase, ou colecistite + pancreatite biliar, ou coledocolitíase + pancreatite biliar), é crucial realizar exames complementares como ultrassonografia abdominal, dosagem de amilase e lipase, e bilirrubinas para diferenciar e confirmar os diagnósticos. O manejo dependerá do diagnóstico final, podendo envolver colecistectomia, CPRE ou tratamento clínico para pancreatite.
A colecistite aguda é caracterizada por dor intensa e persistente no hipocôndrio direito ou epigástrio, náuseas, vômitos e febre. O sinal de Murphy positivo (dor à palpação profunda do HD durante a inspiração) é um achado clássico.
Icterícia (amarelamento da pele e mucosas) e colúria (urina escura) são sinais de obstrução do fluxo biliar, frequentemente indicando coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum) ou outras causas de colestase.
A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para colecistite e colelitíase. Para coledocolitíase, a ultrassonografia endoscópica ou colangiorressonância são mais acuradas. Amilase e lipase séricas são fundamentais para o diagnóstico de pancreatite.
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