Colecistite Aguda na Gravidez: Manejo e Conduta Ideal

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Gestante na trigésima terceira semana de gestação é admitida na emergência com quadro de mal estar abdominal, com dor localizada no hipocôndrio direito, febre e hiporexia há 2 dias. Laboratoriais denotam leucocitose com desvio à esquerda. US abdome denota vesícula biliar com paredes espessadas, com cálculos de até 1,1 cm no seu interior e discreta quantidade de líquido perivesicular. A conduta a ser adotada deverá ser

Alternativas

  1. A) iniciar antibiótico e, em caso de boa resposta clínica, postergar cirurgia para o pós-parto.
  2. B) indicar cesariana e, em seguida, submeter a paciente a uma laparoscopia.
  3. C) indicar laparoscopia imediatamente.
  4. D) realizar colecistectomia aberta imediatamente.
  5. E) solicitar RNM de abdômen para elucidação diagnóstica.

Pérola Clínica

Colecistite aguda em gestante no 3º trimestre → ATB + observação; cirurgia pós-parto se melhora clínica.

Resumo-Chave

A colecistite aguda na gestação, especialmente no terceiro trimestre, é manejada inicialmente com antibioticoterapia e suporte clínico. A cirurgia é postergada para o pós-parto se houver boa resposta, devido aos riscos anestésicos e cirúrgicos para o feto e a mãe.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo não obstétrico na gravidez, com incidência semelhante à população geral. É crucial o reconhecimento e manejo adequado para evitar complicações maternas e fetais. A gestação, especialmente no terceiro trimestre, altera a fisiologia biliar, predispondo à formação de cálculos e estase biliar. O diagnóstico baseia-se na clínica (dor em hipocôndrio direito, febre, náuseas), exames laboratoriais (leucocitose com desvio) e ultrassonografia abdominal, que pode revelar espessamento da parede vesicular, cálculos e líquido perivesicular. É importante diferenciar de outras causas de dor abdominal na gravidez, como pielonefrite ou pré-eclâmpsia. O tratamento inicial é conservador, com hidratação, analgesia e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes entéricos. A colecistectomia laparoscópica é o tratamento definitivo, mas na gestação avançada, é preferível postergá-la para o pós-parto se houver melhora clínica, devido aos riscos anestésicos e cirúrgicos para o feto. A cirurgia durante a gestação é indicada apenas em casos de falha do tratamento conservador ou complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais e sintomas de colecistite aguda na gestação?

Os sinais incluem dor intensa no hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e hiporexia. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com desvio à esquerda.

Qual a conduta inicial para colecistite aguda em gestantes no terceiro trimestre?

A conduta inicial é a antibioticoterapia e suporte clínico. A colecistectomia é geralmente postergada para o pós-parto se houver boa resposta clínica.

Quando a colecistectomia é indicada em gestantes com colecistite aguda?

A cirurgia imediata é reservada para casos graves, como colecistite gangrenosa, perfuração ou falha do tratamento conservador, devido aos riscos para a mãe e o feto.

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