FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente, 78 anos, com quadro de dor abdominal em hipocôndrio direito há 4 dias, com piora progressiva, febre. hipotensão e massa palpável em hipocôndrio direito. Ultrassom de abdome descreve vesícula biliar com paredes espessadas, com líquido livre pericolecístico. De acordo com os critérios de Tóquio, qual(is) seria(m) a(s) melhor(es) abordagem(ns)?
Colecistite Grau III (disfunção orgânica) + instabilidade → Colecistostomia percutânea + ATB.
Segundo os Critérios de Tóquio (TG18), a colecistite grau III (com disfunção orgânica, como hipotensão) em pacientes de alto risco cirúrgico deve ser manejada inicialmente com drenagem da vesícula e estabilização clínica.
A colecistite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório. Os Critérios de Tóquio 2018 (TG18) estratificam a gravidade em três graus para guiar a terapia. O Grau I (leve) permite colecistectomia precoce; o Grau II (moderada) envolve inflamação local grave e pode exigir drenagem se a cirurgia for de alto risco; o Grau III (grave) foca no suporte orgânico e drenagem biliar. No paciente idoso com hipotensão e massa palpável, a prioridade é o controle do foco infeccioso com o menor trauma cirúrgico possível. A colecistostomia percutânea reduz a pressão intravesicular e drena o conteúdo purulento, permitindo a recuperação da disfunção orgânica antes de uma intervenção definitiva.
A colecistite grau III (grave) é definida pela presença de disfunção em qualquer um dos seguintes sistemas: cardiovascular (hipotensão exigindo vasopressores), neurológico (alteração do nível de consciência), respiratório (relação PaO2/FiO2 < 300), renal (oligúria ou creatinina > 2,0 mg/dL), hepático (INR > 1,5) ou hematológico (plaquetas < 100.000/mm³). No caso clínico, a hipotensão caracteriza o grau III.
A colecistostomia percutânea é indicada principalmente em pacientes com colecistite aguda grave (Grau III) ou moderada (Grau II) que apresentam alto risco cirúrgico (ASA elevado ou escore de Charlson alto) e não respondem ao tratamento conservador inicial, servindo como medida de salvamento para drenagem do foco infeccioso.
A colecistectomia é a remoção cirúrgica da vesícula biliar, sendo o tratamento definitivo. A colecistostomia é apenas a drenagem da vesícula (geralmente percutânea guiada por imagem), utilizada temporariamente em pacientes críticos para controle da sepse até que tenham condições clínicas para a cirurgia definitiva.
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