Colecistite Aguda na Gestação: Manejo e Cirurgia Segura

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 24 anos de idade, gestante de 16 semanas e sem comorbidades, deu entrada no pronto-socorro referindo dor abdominal em hipocôndrio direito, há 3 dias. Apresentava-se desidratada, abdome doloroso à palpação em hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostravam: Hb: 12,3 g/dL; leucócitos: 21.400/mm3 ; PCR: 221,8 mg/dL; ureia: 58 mg/dL; creatinina: 1,5 mg/dL; BT: 2,6 mg/dL; BD: 1,6 mg/dL; amilase: 154 U/L; lipase: 342 U/L. Foi realizada uma ultrassonografia que confirmou a hipótese de colecistite aguda calculosa. Acerca desse caso clínico, atribua V. (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.( ) Após 48 horas do início dos sintomas, deve-se iniciar tratamento clínico com antibioticoterapia e aguardar o período de 6 semanas para indicar tratamento operatório.( ) A paciente apresenta-se com risco moderado de coledocolitíase e deve ser indicada a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE).( ) Pacientes gestantes com diagnóstico de colecistite aguda devem ser submetidas ao tratamento clínico, sendo a cirurgia indicada apenas após o período de puerpério.( ) A colecistectomia parcial fenestrada é uma alternativa quando a visão crítica de segurança não é obtida.( ) Um dos passos para obtenção da visão crítica de segurança é a visualização de apenas duas estruturas entrando na vesícula biliar. Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

Alternativas

  1. A) V, V, V, F, F.
  2. B) V, F, F, F, V.
  3. C) F, V, V, F, V.
  4. D) F, F, V, V, F.
  5. E) F, F, F, V, V.

Pérola Clínica

Colecistite aguda gestacional: 2º trimestre ideal para colecistectomia laparoscópica; CPRE indicada para coledocolitíase.

Resumo-Chave

A colecistite aguda em gestantes, especialmente no segundo trimestre, deve ser tratada cirurgicamente com colecistectomia laparoscópica. A presença de icterícia e elevação de enzimas hepáticas/biliares sugere coledocolitíase, que pode demandar CPRE antes ou durante a cirurgia. A visão crítica de segurança é fundamental para evitar lesões de via biliar.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é a segunda causa mais comum de abdome agudo não obstétrico na gestação, afetando cerca de 1 em cada 1.600 gestações. A incidência de cálculos biliares aumenta durante a gravidez devido a alterações hormonais que levam à supersaturação da bile com colesterol e diminuição da motilidade da vesícula biliar. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para evitar complicações graves para a mãe e o feto. O diagnóstico baseia-se na clínica de dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, febre e leucocitose, confirmados pela ultrassonografia abdominal, que pode mostrar cálculos, espessamento da parede da vesícula e sinal de Murphy ultrassonográfico. A suspeita de coledocolitíase deve ser levantada com icterícia, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas, sendo a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) o exame de imagem inicial, e a CPRE reservada para casos com alta probabilidade e necessidade terapêutica. O tratamento da colecistite aguda em gestantes é primariamente cirúrgico. A colecistectomia laparoscópica é o padrão-ouro e é considerada segura, especialmente no segundo trimestre. Em casos de inflamação severa ou anatomia distorcida, a colecistectomia subtotal ou parcial fenestrada é uma alternativa para evitar lesão de via biliar, priorizando a segurança do paciente e a obtenção da visão crítica de segurança. O tratamento clínico com antibióticos e hidratação é uma ponte para a cirurgia, mas não o tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para colecistite aguda em gestantes?

Dor abdominal em hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e leucocitose são sinais comuns. A ultrassonografia é o exame de escolha para confirmação diagnóstica.

Qual o momento ideal para a colecistectomia em gestantes?

O segundo trimestre da gestação é considerado o período mais seguro para a realização da colecistectomia laparoscópica, minimizando riscos maternos e fetais.

Quando a CPRE é indicada em gestantes com colecistite?

A CPRE é indicada quando há forte suspeita ou confirmação de coledocolitíase, evidenciada por icterícia, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas, ou dilatação de via biliar na ultrassonografia.

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