IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Mulher, 28 anos de idade, gestante, com idade gestacional de 15 semanas, procura pronto-socorro por dor abdominal em hipocôndrio direito há 8 horas, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, temperatura 37,9ºC, anictérica. O abdome é gravídico, flácido, doloroso à palpação de hipocôndrio direito, com pausa da inspiração durante a palpação profunda. A avaliação fetal não mostrou alterações. Os exames laboratoriais revelaram leucócitos 17.500/mm³ e PCR 35mg/dL, sem demais alterações. Realizou ultrassonografia de abdome superior, que evidenciou cálculo fixo em infundíbulo da vesícula biliar e delaminação de suas paredes, conforme imagens a seguir:Qual é a conduta para esta paciente?
Colecistite aguda na gestação: ATB IV + colecistectomia videolaparoscópica, preferencialmente no 2º trimestre.
A colecistite aguda na gestação é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico. O tratamento de escolha é a colecistectomia videolaparoscópica, que é segura durante a gravidez, especialmente no segundo trimestre. A cirurgia precoce, associada à antibioticoterapia, previne complicações maternas e fetais, sendo superior ao tratamento conservador prolongado.
A colecistite aguda é a principal causa de abdome agudo não obstétrico em gestantes, com uma incidência que varia de 1 em 1.000 a 1 em 10.000 gestações. A gravidez predispõe à formação de cálculos biliares devido a alterações hormonais que afetam a motilidade da vesícula biliar e a composição da bile. O diagnóstico é baseado na clínica (dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, febre), exame físico (sinal de Murphy positivo) e exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevado). A ultrassonografia de abdome superior é o método de imagem de escolha, evidenciando cálculos, espessamento da parede da vesícula e líquido perivesicular. A fisiopatologia envolve a obstrução do ducto cístico por um cálculo, levando à inflamação e infecção da vesícula biliar. O manejo inicial inclui hidratação venosa, analgesia e antibioticoterapia de amplo espectro. No entanto, o tratamento definitivo para colecistite aguda em gestantes é a colecistectomia. A colecistectomia videolaparoscópica é considerada segura e eficaz durante a gestação, com menor morbidade e recuperação mais rápida em comparação com a cirurgia aberta. O segundo trimestre é geralmente o período preferencial para a intervenção cirúrgica, pois o risco de aborto espontâneo é menor do que no primeiro trimestre e o útero não está tão volumoso quanto no terceiro trimestre, facilitando o acesso cirúrgico. O tratamento conservador prolongado aumenta o risco de complicações graves para a mãe e o feto, tornando a intervenção cirúrgica precoce a melhor opção.
A colecistite aguda é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico em gestantes, seguida pela apendicite aguda. A gestação predispõe à formação de cálculos biliares e à estase biliar.
A colecistectomia videolaparoscópica é a conduta de escolha para colecistite aguda em gestantes que não respondem ao tratamento conservador inicial. É considerada segura, especialmente no segundo trimestre, minimizando riscos maternos e fetais.
Adiar a cirurgia pode levar a complicações graves como necrose da vesícula, perfuração, peritonite, sepse, pancreatite biliar e parto prematuro, aumentando a morbimortalidade materna e fetal.
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