Colecistite Gangrenosa: Colecistectomia à Torek

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Cristina, 57 anos, obesa, multípara, dá entrada no pronto atendimento do Hospital Cajuru referindo dor em hipocôndrio direito tipo cólica de forte intensidade, de início há 5 dias após dieta gordurosa. Cita náusea e vômitos associa- dos. Nega febre alta. Nega melhora da dor com o uso de sintomáticos domiciliares. Segundo episódio de dor neste último mês. Nega investigação médica prévia. Durante a verificação inicial hospitalar, realizaram-se exames laboratoriais e ecografia abdominal. Hemograma infeccioso, ausência de alterações das provas de função hepática, bilirrubina total de 3 às custas de bilirrubina direta 2,1, transaminases normais e aumento leve de fosfatase alcalina e gama GT. Amilase e lipase sem alterações. Ecografia de abdome com espessamento de parede de vesícula biliar, cálculo impactado no infundíbulo de 2,1 cm, líquido perivesicular, Murphy ecográfico positivo. Sobre o caso clínico apresentado, assinale certo ou errado para a afirmação a seguir. Quando gangrena acomete a parede vesicular na face hepática, muitas vezes, não há plano de clivagem entre o fígado e a vesícula, podendo ocorrer hemorragia e fístula biliar pós-operatória. A colecistectomia à Torek é a conduta mais apropriada nessa condição, deixando-se a parede posterior aderida ao fígado, para posterior cauterização, retirada da vesícula e, se necessário, drenagem da cavidade.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Colecistite gangrenosa com aderência hepática → Colecistectomia à Torek (subtotal) para evitar lesão hepática e fístula biliar.

Resumo-Chave

Em casos de colecistite aguda grave, especialmente gangrenosa, pode haver intensa inflamação e aderência da vesícula biliar ao leito hepático, obliterando o plano de clivagem. A colecistectomia à Torek, ou subtotal, é uma técnica segura que consiste em deixar parte da parede posterior da vesícula aderida ao fígado para minimizar riscos de sangramento e fístulas.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. Quando não tratada prontamente, pode evoluir para formas complicadas, como a colecistite gangrenosa, que representa uma necrose da parede vesicular devido à isquemia. Esta complicação é mais comum em pacientes idosos, diabéticos ou imunocomprometidos e pode levar a perfuração, peritonite e sepse, aumentando significativamente a morbimortalidade. A fisiopatologia da colecistite gangrenosa envolve a progressão da inflamação e edema da parede vesicular, comprometendo a microcirculação e levando à isquemia e necrose. Em casos graves, a inflamação pode causar aderências densas entre a vesícula e o leito hepático, obliterando o plano de clivagem cirúrgico. Nesses cenários, a tentativa de realizar uma colecistectomia total pode ser extremamente perigosa, resultando em sangramento incontrolável do leito hepático ou lesão de estruturas biliares adjacentes. A colecistectomia à Torek, ou colecistectomia subtotal, é uma técnica cirúrgica alternativa nesses casos desafiadores. Ela consiste em remover apenas a porção anterior da vesícula, deixando a parede posterior aderida ao fígado. O epitélio da mucosa remanescente é então cauterizado para prevenir a formação de um mucocele residual. Essa abordagem reduz drasticamente o risco de complicações intra e pós-operatórias, como hemorragia e fístula biliar, garantindo um procedimento mais seguro para o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma colecistite aguda complicada, como a gangrenosa?

Sinais de colecistite complicada incluem dor intensa e persistente, febre alta, leucocitose acentuada, sinais de sepse, e achados ultrassonográficos como espessamento acentuado da parede vesicular, líquido perivesicular, gás na parede ou lúmen, e ausência de fluxo na parede.

Por que a colecistectomia à Torek é preferível em casos de aderências hepáticas severas?

A colecistectomia à Torek (subtotal) é preferível porque, ao deixar a parede posterior da vesícula aderida ao fígado, minimiza o risco de lesão do parênquima hepático, sangramento incontrolável e fístulas biliares, que são complicações graves de uma dissecção difícil.

Quais são os riscos de tentar uma colecistectomia total em um cenário de colecistite gangrenosa com aderências?

Os riscos incluem lesão do leito hepático com sangramento profuso, lesão de ductos biliares adjacentes, e formação de fístulas biliares pós-operatórias devido à dificuldade de dissecção e à friabilidade dos tecidos inflamados.

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