Colecistite Aguda: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico Urgente

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022

Enunciado

Mulher, obesa, 55 anos com antecedentes de empachamento, dor em abdome superior há 6 meses principalmente após alimentação gordurosa. Procura Emergência com dor em hipocôndrio há 12 horas temperatura axilar de 38,5ºC, leucocitose e ultrassonografia demonstrando vesícula com várias imagens hiperecogênicas com sombra acústica posterior e paredes com espessura de 0,8cm. Assinale a conduta mais apropriada:

Alternativas

  1. A) Tratamento com sintomáticos por tratar-se de cólica biliar, devendo ser submetida à colecistectomia eletiva.
  2. B) Tratamento imediato com colecistectomia laparotômica em virtude do risco de lesões de colédoco associado à colecistite aguda.
  3. C) Tratamento com colecistectomia laparoscópica eletivo, após melhora clínica obtida com dieta zero, sintomáticos e antibiótico intravenoso. 
  4. D) Colangiorressonância magnética para avaliação de vias biliares, seguido de tratamento com colecistectomia laparoscópica.
  5. E) Tratamento imediato com colecistectomia laparoscópica em virtude da colecistite aguda, associado a antibiótico intravenoso. 

Pérola Clínica

Colecistite aguda (dor HD, febre, leucocitose, USG com espessamento vesicular) → Colecistectomia laparoscópica precoce + ATB IV.

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose) associado aos achados ultrassonográficos (cálculos, espessamento da parede vesicular > 0,4 cm) é diagnóstico de colecistite aguda. A conduta padrão-ouro é a colecistectomia laparoscópica precoce (nas primeiras 72 horas, idealmente 24-48h), associada a antibioticoterapia intravenosa para cobrir bactérias entéricas.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a estase biliar, inflamação e infecção secundária. É uma condição comum, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade, sexo feminino, idade avançada e múltiplos partos (regra dos "4 Fs": female, fat, forty, fertile). O diagnóstico é clínico e laboratorial, com dor em hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e leucocitose. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, revelando cálculos na vesícula, espessamento da parede vesicular (maior que 4 mm), líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico. A presença de todos esses achados confirma o diagnóstico. O tratamento da colecistite aguda é cirúrgico, com a colecistectomia laparoscópica sendo o padrão-ouro. A cirurgia deve ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 24 a 72 horas do início dos sintomas, pois a intervenção precoce está associada a menores taxas de complicações e menor tempo de internação. A antibioticoterapia intravenosa é fundamental para cobrir patógenos entéricos comuns, como E. coli e Klebsiella, e deve ser iniciada antes da cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda?

Os critérios diagnósticos para colecistite aguda incluem dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose e achados ultrassonográficos como cálculos biliares, espessamento da parede vesicular (>4mm) e sinal de Murphy ultrassonográfico.

Por que a colecistectomia laparoscópica é preferível na colecistite aguda?

A colecistectomia laparoscópica é preferível por ser menos invasiva, ter menor tempo de recuperação e menor taxa de complicações em comparação com a cirurgia aberta, especialmente quando realizada precocemente (nas primeiras 72 horas).

Quando a colangiorressonância é indicada na suspeita de colecistite?

A colangiorressonância é indicada quando há suspeita de coledocolitíase (cálculos no ducto biliar comum) ou outras complicações das vias biliares, mas não é o exame inicial para o diagnóstico de colecistite aguda não complicada.

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