Colecistite Enfisematosa: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 55 anos, diabética insulino dependente, com histórico de litíase biliar, apresenta quadro de dor abdominal em quadrante superior direito, febre e icterícia. Os exames laboratoriais mostram leucocitose e elevação das enzimas hepáticas canaliculares. A ultrassonografia confirma a presença de cálculos na vesícula, impactados no infundíbulo, com paredes espessadas e delaminadas com presença de gás na parede e dilatação do ducto biliar comum sem visualização do fator obstrutivo. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta?

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda, colecistectomia e exploração radiológica das vias biliares intra operatória.
  2. B) Pancreatite aguda; realizar hidratação venosa e analgesia.
  3. C) Hepatite viral; iniciar suporte sintomático.
  4. D) Coledocolitíase e passagem de dreno naso biliar.
  5. E) Úlcera péptica perfurada; solicitar tomografia abdominal.

Pérola Clínica

Dor QSD + febre + icterícia + USG gás na parede vesícula = Colecistite Enfisematosa → Colecistectomia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor em QSD, febre e icterícia, associado a leucocitose e elevação de enzimas canaliculares, sugere obstrução biliar. A presença de gás na parede da vesícula biliar na ultrassonografia é patognomônica de colecistite enfisematosa, uma forma grave de colecistite aguda que exige intervenção cirúrgica imediata (colecistectomia).

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente precipitada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. O quadro clínico clássico inclui dor em quadrante superior direito, febre e leucocitose. Em casos mais graves, pode haver icterícia, sugerindo envolvimento das vias biliares ou compressão extrínseca. A colecistite enfisematosa é uma variante rara e grave da colecistite aguda, caracterizada pela presença de gás na parede da vesícula biliar, na luz ou nos tecidos perivesiculares. É mais comum em pacientes diabéticos e idosos, e é causada por infecção por microrganismos produtores de gás, como Clostridium spp. e Escherichia coli. A ultrassonografia é a modalidade de imagem inicial, mas a tomografia computadorizada pode ser mais sensível para detectar o gás. O diagnóstico de colecistite enfisematosa exige uma conduta cirúrgica urgente, geralmente colecistectomia. A presença de gás indica necrose tecidual e alto risco de perfuração e sepse, tornando a intervenção precoce crucial para evitar complicações fatais. A exploração radiológica das vias biliares intraoperatória pode ser necessária se houver suspeita de coledocolitíase associada, especialmente com dilatação do ducto biliar comum.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados de imagem característicos da colecistite enfisematosa?

A ultrassonografia ou tomografia abdominal tipicamente revela gás na parede da vesícula biliar, na luz ou nos tecidos perivesiculares. Pode haver também espessamento e delaminação da parede vesicular.

Por que a colecistite enfisematosa é considerada uma emergência cirúrgica?

É uma forma grave de colecistite aguda, frequentemente associada a isquemia da parede vesicular e infecção por bactérias produtoras de gás (como Clostridium), com alto risco de perfuração, sepse e mortalidade se não tratada prontamente com colecistectomia.

Quais pacientes têm maior risco de desenvolver colecistite enfisematosa?

Pacientes diabéticos, idosos e imunocomprometidos são mais suscetíveis devido à sua maior vulnerabilidade a infecções graves e comprometimento vascular.

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