Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 55 anos, diabética insulino dependente, com histórico de litíase biliar, apresenta quadro de dor abdominal em quadrante superior direito, febre e icterícia. Os exames laboratoriais mostram leucocitose e elevação das enzimas hepáticas canaliculares. A ultrassonografia confirma a presença de cálculos na vesícula, impactados no infundíbulo, com paredes espessadas e delaminadas com presença de gás na parede e dilatação do ducto biliar comum sem visualização do fator obstrutivo. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta?
Dor QSD + febre + icterícia + USG gás na parede vesícula = Colecistite Enfisematosa → Colecistectomia.
O quadro clínico de dor em QSD, febre e icterícia, associado a leucocitose e elevação de enzimas canaliculares, sugere obstrução biliar. A presença de gás na parede da vesícula biliar na ultrassonografia é patognomônica de colecistite enfisematosa, uma forma grave de colecistite aguda que exige intervenção cirúrgica imediata (colecistectomia).
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente precipitada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. O quadro clínico clássico inclui dor em quadrante superior direito, febre e leucocitose. Em casos mais graves, pode haver icterícia, sugerindo envolvimento das vias biliares ou compressão extrínseca. A colecistite enfisematosa é uma variante rara e grave da colecistite aguda, caracterizada pela presença de gás na parede da vesícula biliar, na luz ou nos tecidos perivesiculares. É mais comum em pacientes diabéticos e idosos, e é causada por infecção por microrganismos produtores de gás, como Clostridium spp. e Escherichia coli. A ultrassonografia é a modalidade de imagem inicial, mas a tomografia computadorizada pode ser mais sensível para detectar o gás. O diagnóstico de colecistite enfisematosa exige uma conduta cirúrgica urgente, geralmente colecistectomia. A presença de gás indica necrose tecidual e alto risco de perfuração e sepse, tornando a intervenção precoce crucial para evitar complicações fatais. A exploração radiológica das vias biliares intraoperatória pode ser necessária se houver suspeita de coledocolitíase associada, especialmente com dilatação do ducto biliar comum.
A ultrassonografia ou tomografia abdominal tipicamente revela gás na parede da vesícula biliar, na luz ou nos tecidos perivesiculares. Pode haver também espessamento e delaminação da parede vesicular.
É uma forma grave de colecistite aguda, frequentemente associada a isquemia da parede vesicular e infecção por bactérias produtoras de gás (como Clostridium), com alto risco de perfuração, sepse e mortalidade se não tratada prontamente com colecistectomia.
Pacientes diabéticos, idosos e imunocomprometidos são mais suscetíveis devido à sua maior vulnerabilidade a infecções graves e comprometimento vascular.
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