Colecistite Aguda: Diagnóstico por Ultrassonografia

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 58 anos de idade, com dor em hipocôndrio direito há 4 dias, associada a febre aferida de 38,5ºC, náuseas e vômitos. Nega icterícia, colúria e acolia fecal. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana 50mg, duas vezes ao dia. Nega antecedentes cirúrgicos ou alergias. Realizou os seguintes exames laboratoriais: hemoglobina: 12,8g/dL; hematócrito: 37,0%; leucócitos totais: 19500/mm³; plaquetas: 214000/mm³; ureia: 23mg/dL; creatinina: 0,7mg/dL; sódio: 138mEq/L; potássio: 4,3mEq/L; INR: 1,14; alanina aminotransferase (AST/TGO): 21UI/L; aspartato aminotransferase (AST/TGP): 32UI/L; fosfatase alcalina: 70U/L; gama glutamil transferase (GGT): 60UI/L; bilirrubina total: 0,5mg/dL; bilirrubina direta: 0,3mg/dL; bilirrubina indireta: 0,2mg/dL; amilase 53UI/L e lipase 60UI/L. Qual é o exame menos invasivo, mais acessível e sem radiação ionizante que deve ser solicitado para confirmar a hipótese diagnóstica principal?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia endoscópica
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome
  3. C) Ressonância magnética de abdome
  4. D) Ultrassonografia de abdome total

Pérola Clínica

Dor HD + febre + leucocitose (sem icterícia) → USG abdome total para colecistite aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, sem icterícia ou alterações significativas em enzimas hepáticas/pancreáticas, é altamente sugestivo de colecistite aguda. A ultrassonografia de abdome total é o exame de imagem de primeira linha, por ser não invasiva, acessível e sem radiação, para confirmar a presença de cálculos biliares e sinais inflamatórios na vesícula.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda que requer hospitalização. A incidência é maior em mulheres, idosos e pacientes com fatores de risco para colelitíase, como obesidade e gravidez. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves, como perfuração da vesícula ou sepse. A fisiopatologia envolve a obstrução do ducto cístico, levando ao acúmulo de bile, distensão da vesícula e inflamação química e, posteriormente, bacteriana. Clinicamente, o paciente apresenta dor em hipocôndrio direito, febre, náuseas e vômitos. A presença de leucocitose é um achado laboratorial comum. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia de abdome total o método de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade, baixo custo, acessibilidade e ausência de radiação. O tratamento da colecistite aguda geralmente envolve internação hospitalar, analgesia, hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro. A colecistectomia (remoção cirúrgica da vesícula biliar) é o tratamento definitivo, preferencialmente realizada precocemente (nas primeiras 72 horas) para reduzir o risco de complicações e o tempo de internação. Em pacientes de alto risco cirúrgico, pode-se considerar a colecistostomia percutânea.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colecistite aguda?

Os principais sintomas da colecistite aguda incluem dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, que pode irradiar para o ombro ou escápula direita, febre, náuseas, vômitos e, ocasionalmente, icterícia. O sinal de Murphy (dor à palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda) é um achado clássico.

Por que a ultrassonografia de abdome total é o exame de escolha para colecistite aguda?

A ultrassonografia de abdome total é o exame de escolha por ser não invasiva, amplamente disponível, sem radiação ionizante e altamente eficaz na detecção de cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico, que são achados característicos da colecistite aguda.

Quais exames laboratoriais são úteis no diagnóstico da colecistite aguda?

Exames laboratoriais podem revelar leucocitose com desvio à esquerda, indicando inflamação. As enzimas hepáticas (AST, ALT, FA, GGT) e bilirrubinas podem estar discretamente elevadas, mas elevações significativas sugerem coledocolitíase ou colangite. Amilase e lipase são úteis para descartar pancreatite.

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