AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Mulher de 44 anos, dá entrada no PS com quadro de dor em flanco direito com 24 horas de evolução. Ao exame mostra-se hipocorada e desidratada, com abdome globoso, tenso e doloroso à palpação do hipocôndrio direito. RHA positivos. Realiza hemograma que mostra 15500 leucócitos com 6% bastões, PCR aumentada e creatinina, eletrólitos e glicemia normais. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva correta.
Dor em QSD > 6h, febre, leucocitose + Sinal de Murphy → Alta suspeita de Colecistite Aguda.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. A tríade clássica de dor no quadrante superior direito (QSD), febre e leucocitose, juntamente com o tempo de evolução da dor, são os pilares para a suspeita diagnóstica.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando ao acúmulo de bile e inflamação da parede vesicular. É uma das emergências abdominais mais comuns, afetando predominantemente mulheres de meia-idade. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações como perfuração, gangrena ou formação de abscesso. O diagnóstico da colecistite aguda baseia-se em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Clinicamente, os pacientes apresentam dor intensa e persistente no quadrante superior direito ou epigástrio, que pode irradiar para o ombro direito ou dorso, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e febre. O sinal de Murphy (interrupção da inspiração profunda à palpação do hipocôndrio direito) é um achado clássico. Laboratorialmente, observa-se leucocitose com desvio à esquerda e elevação da PCR. A ultrassonografia de abdome é o exame de imagem de escolha, revelando cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico. A colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) não é o exame padrão ouro para diagnóstico de colecistite aguda, sendo mais indicada para coledocolitíase ou colangite, onde pode ter papel terapêutico. O tratamento definitivo é a colecistectomia, preferencialmente laparoscópica, que deve ser realizada precocemente, geralmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, juntamente com antibioticoterapia.
Os critérios de Tóquio 2018 incluem sinais locais de inflamação (Murphy positivo, massa/dor/sensibilidade em QSD), sinais sistêmicos (febre, leucocitose, PCR elevada) e achados de imagem (espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico, cálculos impactados). O diagnóstico é provável com um critério local e um sistêmico, e definitivo com um de cada categoria mais imagem.
A ultrassonografia é o exame de imagem de primeira linha para colecistite aguda, capaz de identificar cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico. É rápida, não invasiva e amplamente disponível.
A colecistite aguda é inflamação da vesícula biliar, enquanto a coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto biliar comum, e a colangite é a infecção das vias biliares. A coledocolitíase pode causar icterícia e elevação de enzimas hepáticas (FA, GGT), e a colangite apresenta a tríade de Charcot (febre, dor QSD, icterícia) ou a pêntade de Reynolds (com hipotensão e alteração do estado mental).
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