Colecistite Aguda: Manejo Cirúrgico e Antibioticoterapia

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 24 anos, obesa (IMC=30 kg/m²), diabética tipo 1, 16º dia de puerpério (filho em aleitamento materno exclusivo), dá entrada no pronto-atendimento da cirurgia geral referindo dor em hipocôndrio direito há 2 dias, associada a vômitos. Ultrassonografia do abdome mostra cálculo de 20mm impactado no infundibulo da vesícula biliar, associado a espessamento/delaminação da parede do órgão e líquido livre perivesicular, com ducto colédoco medindo 5mm em seu maior diâmetro. Considerando-se o diagnôstico e a sua graduação de severidade, indique a alternativa que apresente a melhor conduta terapêutica:

Alternativas

  1. A) Jejum, antibioticoterapia endovenosa com ceftriaxona e metronidazol por 5 a 7 dias e colangiorresssonância.
  2. B) Colecistectomia laparotômica com exploração das vias biliares + antibioticoterapia endovenosa com ceftriaxona e metronidazol durante 5 a 7 dias.
  3. C) Colecistectomia videolaparoscópica + antibioticoterapia endovenosa com piperacilina + tazobactam durante 1 a 7 dias (a depender do procedimento cirúrgico).
  4. D) Dieta hipogordurosa, antibioticoterapia endovenosa com piperailina + tazobactam por 5 a 7 dias e colangiorressonância.

Pérola Clínica

Colecistite aguda (sinais US + clínica) → Colecistectomia videolaparoscópica precoce + antibioticoterapia de amplo espectro.

Resumo-Chave

O tratamento padrão-ouro para colecistite aguda é a colecistectomia videolaparoscópica precoce (idealmente nas primeiras 72h). A antibioticoterapia é adjuvante e deve cobrir bacilos gram-negativos e anaeróbios, sendo a escolha do esquema baseada na gravidade e comorbidades do paciente.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. É uma das causas mais comuns de abdome agudo inflamatório, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações como empiema, gangrena ou perfuração. O diagnóstico é baseado na tríade de clínica (dor em hipocôndrio direito, febre, sinal de Murphy), exames laboratoriais (leucocitose, aumento de PCR) e exames de imagem, sendo a ultrassonografia o método de escolha. Os Guias de Tóquio (Tokyo Guidelines) são utilizados para diagnosticar e classificar a gravidade da colecistite em leve (Grau I), moderada (Grau II) e grave (Grau III), o que orienta a conduta terapêutica. O tratamento definitivo é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica e realizada precocemente. A antibioticoterapia de amplo espectro é iniciada na admissão para controlar a infecção. A escolha do antibiótico varia com a gravidade; esquemas como piperacilina-tazobactam são reservados para casos moderados a graves ou pacientes com comorbidades importantes, como diabetes e obesidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais ultrassonográficos de colecistite aguda?

Os principais achados incluem espessamento da parede da vesícula (>4mm), presença de cálculo (especialmente impactado no infundíbulo), líquido perivesicular, e o sinal de Murphy ultrassonográfico positivo (dor à compressão da vesícula com o transdutor).

Quando a colecistectomia deve ser realizada na colecistite aguda?

A colecistectomia videolaparoscópica deve ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas. A cirurgia precoce reduz o risco de complicações, a taxa de conversão para cirurgia aberta e o tempo de internação.

Por que a colangiorressonância não é indicada neste caso?

A colangiorressonância é indicada para investigar coledocolitíase (cálculo no colédoco). Neste caso, a ultrassonografia mostrou um ducto colédoco de calibre normal (5mm) e não há outros sinais de obstrução biliar, tornando o exame desnecessário.

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