SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 46 anos de idade procurou o atendimento médico em razão de dor no hipocôndrio direito iniciada há 12 horas, irradiada para o dorso e associada a náuseas. Referiu episódios semelhantes nos últimos meses. Ao exame, apresentou dor à palpação profunda em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo; FC = 98 bpm, FR = 18 irpm, PA = 128x80 mmHg e temperatura = 38,1℃. A ultrassonografia evidenciou vesícula distendida, parede espessada (5 mm), cálculos múltiplos e líquido pericolecístico. Considerando o quadro apresentado, qual é o diagnóstico mais compatível?
Murphy (+) + Febre + Parede vesícula > 4mm → Colecistite Aguda.
A colecistite aguda resulta da obstrução persistente do ducto cístico por cálculos, levando a inflamação, edema de parede e risco de infecção secundária.
A colecistite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório. A fisiopatologia envolve a impactação de um cálculo no ducto cístico, gerando estase biliar e resposta inflamatória. O diagnóstico é clínico-radiológico, fundamentado nos Critérios de Tóquio. A ultrassonografia é o exame inicial de escolha devido à sua alta sensibilidade e disponibilidade.
Os Critérios de Tóquio 2018 (TG18) dividem o diagnóstico em: A) Sinais locais de inflamação (Murphy ou massa/dor no hipocôndrio direito); B) Sinais sistêmicos (febre, PCR elevada ou leucocitose); C) Achados de imagem característicos. O diagnóstico definitivo requer um item de A, um de B e a confirmação por imagem em C. Essa padronização auxilia na estratificação de gravidade e na conduta cirúrgica precoce.
Embora a presença de cálculos seja comum, o sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à compressão da vesícula pelo transdutor) é altamente sugestivo. O espessamento da parede da vesícula (> 4 mm) e a presença de líquido pericolecístico na ausência de doença hepática ou cardíaca reforçam o diagnóstico de colecistite aguda, indicando processo inflamatório transmural.
A colecistectomia videolaparoscópica precoce (preferencialmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas) é o tratamento padrão-ouro para a colecistite aguda calculosa. Em casos de gravidade grau III (disfunção orgânica), pode ser necessária a estabilização prévia ou colecistostomia percutânea se o paciente não tiver condições cirúrgicas imediatas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo