MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 46 anos, obesa e multípara, procura a unidade de pronto atendimento com queixa de dor intensa em hipocôndrio direito com irradiação para a região interescapular há cerca de 14 horas. Relata que a dor iniciou após uma refeição gordurosa e foi acompanhada de náuseas, vômitos e febre aferida de 38,2°C. Ao exame físico, apresenta sinal de Murphy positivo à palpação profunda. Foi solicitada uma ultrassonografia de abdome superior, cujos achados principais são apresentados na imagem abaixo. Com base no quadro clínico e na análise detalhada da imagem, qual a principal hipótese diagnóstica?
Dor RUQ > 6h + Murphy (+) + Febre/Leucocitose → Colecistite Aguda.
A colecistite aguda calculosa é definida pela inflamação da vesícula secundária à obstrução persistente do ducto cístico, apresentando sinais clínicos e radiológicos de inflamação local.
A colecistite aguda calculosa é uma das causas mais comuns de internação cirúrgica de urgência. Ocorre em cerca de 90-95% dos casos devido à impactação de um cálculo no ducto cístico ou no infundíbulo da vesícula, gerando estase biliar, isquemia da mucosa e resposta inflamatória. A epidemiologia clássica envolve os '4 Fs': Female, Fat, Fertile, and Forty. O manejo padrão-ouro atual, conforme preconizado pelas diretrizes internacionais, é a colecistectomia videolaparoscópica precoce (idealmente dentro de 72 horas do início dos sintomas). O atraso na cirurgia aumenta o risco de complicações como gangrena, perfuração e formação de abscesso pericolecístico, além de elevar a taxa de conversão para cirurgia aberta.
A ultrassonografia de abdome superior é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade (aprox. 88%) e especificidade (80%), sendo capaz de identificar cálculos, espessamento da parede (> 4mm), líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico.
O sinal de Murphy é a interrupção súbita da inspiração profunda durante a palpação compressiva do ponto cístico (hipocôndrio direito). Ele é um sinal altamente sugestivo de colecistite aguda quando associado ao quadro clínico compatível.
O diagnóstico requer: (A) Sinais locais de inflamação (Murphy ou dor/massa em HD); (B) Sinais sistêmicos de inflamação (febre, PCR elevada ou leucocitose); (C) Achados de imagem característicos. O diagnóstico definitivo exige um item de A, um de B e um de C.
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