Colecistite Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

O mecanismo fisiopatológico mais comum de colecistite aguda é o bloqueio do canal cístico e quando o bloqueio ocorre por causa de um cálculo obstrutivo, o diagnóstico é de colecistite aguda calculosa. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. As modificações inflamatórias na parede da vesícula biliar produzem febre, dor e defesa no quadrante superior direito e hipersensibilidade a palpação... PORTANTO II. Todo paciente com este quadro deve ser submetido a tomografia computadorizada de abdome superior, exame mais sensível para o diagnóstico, e iniciado antibioticoterapia na primeira hora de admissão.

Alternativas

  1. A) As duas assertivas são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
  2. B) As duas assertivas são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
  3. C) A primeira assertiva é uma proposição verdadeira, e a segunda é falsa.
  4. D) A primeira assertiva é uma proposição falsa, e a segunda é verdadeira.
  5. E) As duas assertivas são proposições falsas.

Pérola Clínica

Dor em HCD + Murphy (+) + Febre → Colecistite Aguda. USG é o exame de escolha inicial.

Resumo-Chave

A colecistite aguda resulta da obstrução do ducto cístico por cálculo. O diagnóstico é clínico-radiológico, sendo a USG superior à TC para avaliar a parede e cálculos.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório, ocorrendo em cerca de 90-95% dos casos devido à obstrução do ducto cístico por cálculos (colecistite calculosa). A estase biliar desencadeia a liberação de mediadores inflamatórios e, secundariamente, infecção bacteriana. O reconhecimento clínico baseia-se na tríade de dor persistente em hipocôndrio direito, febre e leucocitose. O manejo padrão-ouro atual envolve a colecistectomia videolaparoscópica precoce, idealmente realizada nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, o que reduz o tempo de internação e complicações pós-operatórias em comparação com a cirurgia tardia.

Perguntas Frequentes

Qual o exame de imagem inicial na colecistite aguda?

A ultrassonografia de abdome superior é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade (acima de 90%) para detectar cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula (> 4mm), líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico. Embora a tomografia computadorizada seja útil para avaliar complicações como perfuração ou abscesso, ela é menos sensível que a USG para identificar cálculos de colesterol e alterações precoces da parede biliar.

Quais são os critérios de Tóquio (TG18) para diagnóstico?

Os critérios de Tóquio 2018 dividem-se em três pilares: (A) Sinais locais de inflamação, como sinal de Murphy positivo ou massa/dor/defesa no hipocôndrio direito; (B) Sinais sistêmicos de inflamação, como febre, PCR elevada ou leucocitose; e (C) Achados de imagem característicos. O diagnóstico suspeito requer um item A + um item B, enquanto o diagnóstico definitivo exige um item A + um item B + um item C.

Quando indicar antibioticoterapia na colecistite?

A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente em todos os pacientes com suspeita de colecistite aguda, visando cobrir germes entéricos (Gram-negativos e anaeróbios). Em casos leves (Grau I), o tratamento pode ser apenas profilático pré-operatório, mas em casos moderados a graves (Grau II e III), a terapia deve ser mantida e ajustada conforme a gravidade clínica e cultura, associada à colecistectomia precoce ou drenagem.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo