Colecistite Aguda Branda: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 33 anos, há 4 meses apresenta dor do tipo contínua-intermitente (duração de cerca de 1 hora) no hipocôndrio direito e epigástrio. No último mês, passou por 2 atendimentos em Unidade Básica de Saúde e uma passagem em Unidade de Pronto Atendimento com diagnóstico clínico e de imagem de colelitíase. Há 16 horas apresenta dor contínua no mesmo local, defesa involuntária à palpação superficial e profunda, sem febre e disfunções orgânicas. Foi encaminhada para hospital de urgência na vigência da pandemia de Covid-19. O hemograma, a amilasemia, as aminotransferases e as bilirrubinas estavam normais. A ultrassonografia abdominal foi repetida e iniciou-se jejum, hidratação, antibiótico e procedeu-se à colescistectomia por videolaparoscopia. Com base na conduta adotada, qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) A repetição da ultrassonografia foi desnecessária, o tratamento indicado foi oportuno, mas o acesso por laparotomia ou percutâneo seriam mais adequados em função da pandemia.
  2. B) Tratava-se de cólica ou dor biliar mantida sem infecção aguda e o tratamento com dieta hipogordurosa, anti-inflamatórios e antiespasmódicos seriam mais adequados.
  3. C) As necessidades de atendimento pela pandemia e os riscos de disseminação do vírus pela videolaparoscopia justificariam a opção pelo tratamento com analgésicos e antibioticoterapia.
  4. D) Tratava-se de colecistite aguda branda, o tratamento indicado foi oportuno, bem como o acesso por videolaparoscopia.

Pérola Clínica

Colecistite aguda branda → colecistectomia videolaparoscópica oportuna.

Resumo-Chave

A presença de dor contínua em hipocôndrio direito com defesa involuntária, associada à colelitíase na USG e exames laboratoriais normais (sem sinais de gravidade ou coledocolitíase/pancreatite), configura colecistite aguda branda, com indicação de colecistectomia precoce por videolaparoscopia.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a estase biliar e inflamação. É uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda que requer internação hospitalar e intervenção cirúrgica. A classificação de Tóquio (TG18/TG13) categoriza a colecistite aguda em branda (grau I), moderada (grau II) e grave (grau III), auxiliando na decisão terapêutica. A fisiopatologia envolve a obstrução do ducto cístico, que leva ao acúmulo de bile, aumento da pressão intraluminal, isquemia da parede da vesícula e proliferação bacteriana. O diagnóstico é clínico (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, defesa), laboratorial (leucocitose, PCR elevada) e de imagem, sendo a ultrassonografia abdominal o exame de escolha para confirmar a presença de cálculos e sinais de inflamação da vesícula. O tratamento da colecistite aguda branda (grau I) é a colecistectomia por videolaparoscopia, idealmente realizada nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, após estabilização do paciente com jejum, hidratação venosa e antibioticoterapia empírica. A cirurgia precoce reduz a taxa de complicações e o tempo de internação. Mesmo em cenários de pandemia, a videolaparoscopia, com as devidas precauções, mantém-se como a via de acesso preferencial devido aos seus benefícios.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda branda?

A colecistite aguda branda é diagnosticada pela presença de sinais de inflamação local (sinal de Murphy positivo, massa, dor ou defesa em QSD), sinais sistêmicos de inflamação (febre, leucocitose, PCR elevada) e achados de imagem típicos (cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula). A forma branda não apresenta disfunção orgânica e a inflamação local é leve.

Qual o tratamento recomendado para colecistite aguda branda?

O tratamento padrão para colecistite aguda branda é a colecistectomia por videolaparoscopia, preferencialmente realizada precocemente (nas primeiras 72 horas do início dos sintomas), após estabilização clínica com jejum, hidratação e antibioticoterapia.

Como a pandemia de COVID-19 impactou o manejo da colecistite aguda?

Durante a pandemia, houve discussões sobre o risco de disseminação viral em cirurgias laparoscópicas. No entanto, com precauções adequadas, a videolaparoscopia permaneceu o acesso preferencial para colecistectomia em casos de colecistite aguda, devido aos seus benefícios de recuperação mais rápida e menor tempo de internação.

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