PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2023
Paciente de 49 anos, sexo feminino, dá entrada na UPA. Refere que há aproximadamente 1 semana percebeu início de mal estar, astenia, perda de apetite, e há 3 dias evolui com sensação febril, calafrios, e dor lombar. Questionada sobre sintomas urinários, diz estar com dificuldade para urinar, com sensação dolorosa de "pontada" ao início da micção. Antecedentes: diabética, em uso de metformina 850mg 2x ao dia, e dislipidêmica em uso de sinvastatina, obesidade. Ao exame físico na admissão: lúcida e orientada, vígil, mucosas normocrômicas, escleras anictéricas, febre 38ºC, FC 110bpm, PA 120x90mmHg, TEC 2s, exame físico abdominal, cardiovascular, respiratório sem alterações. Ao ser sondada, saída de diurese com piúria maciça. Exames laboratoriais da admissão: pH 7,4, PO2 85, PCO2 24, lactato 16 (normal), creatina 2,6mg/dL, Uréia 89mg/dl, bilirrubinas 1,5mg/dl (direta 1,0mg/dl), hemoglobina 11,9, leucograma 32mil, 19% de bastões, plaquetas 119mil, sumário de urina com bactérias, leucócitos e nitrito positivo. A paciente do caso apresenta bilirrubinas séricas 1,5mg/dl. Sobre as síndromes colestáticas e a icterícia, marque a alternativa incorreta:
Colecistite aguda ≠ icterícia; icterícia sugere coledocolitíase ou colangite.
A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico. A icterícia não é um achado típico da colecistite isolada; sua presença sugere complicações como coledocolitíase ou colangite, que envolvem a via biliar principal.
A colecistite aguda é uma condição inflamatória da vesícula biliar, geralmente precipitada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. Os sintomas clássicos incluem dor no quadrante superior direito do abdome, febre, náuseas e vômitos. É crucial entender que a icterícia não é um achado típico da colecistite aguda não complicada. A presença de icterícia em um paciente com suspeita de colecistite deve levantar a suspeita de complicações, como coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum), colangite (infecção da via biliar) ou síndrome de Mirizzi (compressão do ducto biliar comum por um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula). Nessas situações, a obstrução da via biliar principal leva ao acúmulo de bilirrubina conjugada e, consequentemente, à icterícia. Além das causas biliares, outras condições podem levar à icterícia e elevação de bilirrubinas. A sepse, como no caso da paciente com pielonefrite, pode induzir uma colestase intra-hepática funcional, conhecida como "colestase da sepse", devido à inflamação sistêmica e disfunção hepatocelular. As hepatites virais, especialmente A e E, podem cursar com icterícia febril e não cronificam, enquanto as hepatites B e C podem levar à cronicidade. A encefalopatia hepática, por sua vez, é um marcador de falência hepática aguda ou crônica descompensada, indicando gravidade e, em muitos casos, a necessidade de avaliação para transplante hepático.
A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente devido à obstrução do ducto cístico. A icterícia ocorre quando há obstrução do ducto biliar comum, o que não é o caso na colecistite não complicada.
Coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum), colangite (infecção da via biliar) e pancreatite biliar são condições que podem causar icterícia obstrutiva e dor abdominal.
A sepse pode causar disfunção hepática colestática, conhecida como "colestase da sepse", devido à inflamação sistêmica e citocinas que afetam o transporte de bilirrubina pelos hepatócitos, resultando em hiperbilirrubinemia mista ou predominantemente direta.
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