Colecistite Aguda: Manejo e Colecistectomia Precoce

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 68 anos, hipertensa e diabética, apresenta dor abdominal difusa com irradiação para o dorso há 3 dias, acompanhada de febre (38,5°C), náuseas e vômitos. O exame físico revela dor moderada no quadrante superior direito, sem sinal de Murphy evidente. Exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda, elevação discreta de bilirrubina direta (2,0 mg/dL) e aumento de enzimas hepáticas (TGO/TGP). A ultrassonografia abdominal identifica cálculos na vesícula biliar, espessamento da parede vesicular (>4 mm) e líquido perivesicular. Não há evidências de coledocolitíase. Qual é o tratamento mais apropriado para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrição de antibióticos orais em regime ambulatorial, com acompanhamento clínico semanal.
  2. B) Internação hospitalar com antibióticos de amplo espectro e colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização clínica.
  3. C) Internação com suporte clínico, adiando a colecistectomia para seis semanas após resolução da inflamação.
  4. D) Realização imediata de drenagem percutânea da vesícula biliar, seguida de avaliação cirúrgica posterior.

Pérola Clínica

Colecistite aguda grave (Tokyo II/III) → ATB amplo espectro + colecistectomia precoce (24-72h) pós-estabilização.

Resumo-Chave

A presença de febre, leucocitose, dor no QSD e achados ultrassonográficos como espessamento da parede vesicular e líquido perivesicular são indicativos de colecistite aguda. Em pacientes com comorbidades e sinais de inflamação sistêmica, o tratamento envolve internação, antibioticoterapia e colecistectomia precoce.

Contexto Educacional

Colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada por obstrução do ducto cístico por cálculo. É uma das emergências abdominais mais comuns, afetando principalmente mulheres e idosos, com maior prevalência em pacientes com fatores de risco como obesidade, diabetes e dislipidemia. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor em quadrante superior direito, febre e leucocitose, complementado por achados ultrassonográficos como cálculos, espessamento da parede vesicular (>4mm) e líquido perivesicular. A ausência do sinal de Murphy não exclui o diagnóstico, especialmente em idosos. A elevação discreta de bilirrubina e enzimas hepáticas pode ocorrer sem coledocolitíase. O tratamento padrão é a colecistectomia laparoscópica. Em casos de colecistite aguda moderada a grave, como o descrito, a internação, antibioticoterapia de amplo espectro e colecistectomia precoce (idealmente em 24-72 horas após estabilização clínica) são as condutas mais apropriadas. Adiar a cirurgia pode aumentar o risco de complicações como perfuração e peritonite.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda?

Os critérios de Tokyo incluem sinais locais de inflamação (Murphy, massa QSD), sinais sistêmicos (febre, leucocitose, PCR alta) e achados de imagem (USG com cálculos, espessamento, líquido perivesicular).

Quando a colecistectomia precoce é indicada na colecistite aguda?

A colecistectomia precoce (dentro de 24-72 horas da admissão) é indicada para colecistite aguda leve a moderada, após estabilização clínica do paciente, para reduzir complicações e tempo de internação.

Qual o papel da antibioticoterapia na colecistite aguda?

Antibióticos são essenciais para cobrir bactérias gram-negativas e anaeróbios, especialmente em casos moderados a graves ou com sinais de sepse, devendo ser iniciados antes da cirurgia e ajustados conforme cultura.

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