HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Paciente sexo feminino, 35 anos, dá entrada no setor de emergência do hospital com dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo. A ultrassonografia abdominal não mostra espessamento de parede vesicular nem liquido perivesicular ou peri-hepático. Em decorrência da dor intensa é internada para analgesia parenteral. No dia seguinte o cirurgião a examina e encontra os mesmos sinais clínicos que sugerem colecistite aguda. Solicita outro ultrassom de abdome que novamente tem laudo normal. Tendo em vista a hipótese clínica mais provável, qual o melhor exame complementar?
Suspeita clínica forte de colecistite aguda com USG normal → Cintilografia biliar (HIDA) é o próximo passo diagnóstico.
Em casos de forte suspeita clínica de colecistite aguda (dor em HD, Murphy positivo), mas com ultrassonografia abdominal normal, a cintilografia biliar com HIDA é o exame de escolha. Ela avalia a patência do ducto cístico, sendo mais sensível para detectar obstrução funcional ou inflamatória.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colecistite calculosa) ou, menos comumente, sem a presença de cálculos (colecistite alitiásica), esta última mais comum em pacientes gravemente enfermos. A epidemiologia mostra que é uma das complicações mais frequentes da colelitíase, com pico de incidência em adultos de meia-idade e idosos. O diagnóstico da colecistite aguda é primariamente clínico, baseado na tríade de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, além do sinal de Murphy positivo. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem inicial de escolha devido à sua disponibilidade, baixo custo e ausência de radiação. Ela pode revelar cálculos biliares, espessamento da parede vesicular (>3-4mm), líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico. No entanto, em cerca de 5-10% dos casos, a ultrassonografia pode ser normal ou inconclusiva, especialmente em colecistite alitiásica ou em estágios muito precoces da doença. Quando há forte suspeita clínica de colecistite aguda, mas a ultrassonografia é normal ou inconclusiva, a cintilografia biliar com HIDA (ácido iminodiacético hepatobiliar) torna-se o exame complementar de escolha. Este exame avalia a patência do ducto cístico; a não visualização da vesícula biliar após a administração do radiofármaco indica obstrução do ducto cístico, confirmando o diagnóstico de colecistite aguda. O tratamento geralmente envolve analgesia, antibioticoterapia e colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica.
A ultrassonografia pode ser normal em casos iniciais de colecistite aguda, especialmente na colecistite alitiásica, onde não há cálculos para causar espessamento da parede ou líquido perivesicular.
A cintilografia biliar utiliza um radiofármaco que é captado pelos hepatócitos e excretado na bile. A não visualização da vesícula biliar após 60 minutos (ou 4 horas) sugere obstrução do ducto cístico, compatível com colecistite aguda.
Os critérios clínicos incluem dor intensa e persistente em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose e, por vezes, náuseas e vômitos.
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