Colecistite Aguda: Diagnóstico com USG Normal

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente sexo feminino, 35 anos, dá entrada no setor de emergência do hospital com dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo. A ultrassonografia abdominal não mostra espessamento de parede vesicular nem liquido perivesicular ou peri-hepático. Em decorrência da dor intensa é internada para analgesia parenteral. No dia seguinte o cirurgião a examina e encontra os mesmos sinais clínicos que sugerem colecistite aguda. Solicita outro ultrassom de abdome que novamente tem laudo normal. Tendo em vista a hipótese clínica mais provável, qual o melhor exame complementar?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome.
  2. B) Cintilografia de vias biliares.
  3. C) Endoscopia digestiva alta.
  4. D) Colonoscopia.

Pérola Clínica

Suspeita clínica forte de colecistite aguda com USG normal → Cintilografia biliar (HIDA) é o próximo passo diagnóstico.

Resumo-Chave

Em casos de forte suspeita clínica de colecistite aguda (dor em HD, Murphy positivo), mas com ultrassonografia abdominal normal, a cintilografia biliar com HIDA é o exame de escolha. Ela avalia a patência do ducto cístico, sendo mais sensível para detectar obstrução funcional ou inflamatória.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colecistite calculosa) ou, menos comumente, sem a presença de cálculos (colecistite alitiásica), esta última mais comum em pacientes gravemente enfermos. A epidemiologia mostra que é uma das complicações mais frequentes da colelitíase, com pico de incidência em adultos de meia-idade e idosos. O diagnóstico da colecistite aguda é primariamente clínico, baseado na tríade de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, além do sinal de Murphy positivo. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem inicial de escolha devido à sua disponibilidade, baixo custo e ausência de radiação. Ela pode revelar cálculos biliares, espessamento da parede vesicular (>3-4mm), líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico. No entanto, em cerca de 5-10% dos casos, a ultrassonografia pode ser normal ou inconclusiva, especialmente em colecistite alitiásica ou em estágios muito precoces da doença. Quando há forte suspeita clínica de colecistite aguda, mas a ultrassonografia é normal ou inconclusiva, a cintilografia biliar com HIDA (ácido iminodiacético hepatobiliar) torna-se o exame complementar de escolha. Este exame avalia a patência do ducto cístico; a não visualização da vesícula biliar após a administração do radiofármaco indica obstrução do ducto cístico, confirmando o diagnóstico de colecistite aguda. O tratamento geralmente envolve analgesia, antibioticoterapia e colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica.

Perguntas Frequentes

Quando a ultrassonografia abdominal pode ser normal em um caso de colecistite aguda?

A ultrassonografia pode ser normal em casos iniciais de colecistite aguda, especialmente na colecistite alitiásica, onde não há cálculos para causar espessamento da parede ou líquido perivesicular.

Qual o princípio da cintilografia biliar (HIDA) no diagnóstico de colecistite?

A cintilografia biliar utiliza um radiofármaco que é captado pelos hepatócitos e excretado na bile. A não visualização da vesícula biliar após 60 minutos (ou 4 horas) sugere obstrução do ducto cístico, compatível com colecistite aguda.

Quais são os critérios clínicos para suspeitar de colecistite aguda?

Os critérios clínicos incluem dor intensa e persistente em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose e, por vezes, náuseas e vômitos.

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