Colecistite Aguda: Classificação de Tokyo e Manejo

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Quanto à colecistite aguda, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) caso o cálculo seja impactado no infundíbulo da vesícula biliar e cause o quadro inflamatório, estaremos diante de um caso de síndrome de Boerhaave.
  2. B) a classificação de Tokyo engloba três níveis de gravidade de doença, sendo a Tokyo II definida a partir de, pelo menos, duas dessas alterações: leucocitose > 18.000/mm³, massa palpável em quadrante superior direito, sintomas por mais de 72 horas e complicação local, como um abscesso pericolecístico ou hepático.
  3. C) quando há a migração de um cálculo biliar para o intestino delgado, com a sua impactação na válvula íleo-cecal, estaremos diante de um caso de síndrome de Mirizzi.
  4. D) a classificação Tokyo III prediz disfunção orgânica de algum sistema, como, por exemplo, cardiovascular, neurológico e hematológico, sendo necessário abordagem mais conservadora, como drenagem precoce (colecistostomia).

Pérola Clínica

Colecistite Tokyo III = disfunção orgânica → drenagem precoce (colecistostomia) em pacientes instáveis.

Resumo-Chave

A classificação de Tokyo para colecistite aguda estratifica a gravidade em três níveis. A Tokyo III (grave) é definida pela presença de disfunção orgânica. Nesses casos, especialmente em pacientes instáveis, a colecistostomia percutânea é uma abordagem conservadora e eficaz para drenagem e estabilização antes de uma colecistectomia definitiva.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. É uma condição cirúrgica comum, e sua gravidade pode variar amplamente, desde quadros leves até infecções sistêmicas graves com disfunção orgânica. A estratificação da gravidade é crucial para guiar o manejo. A Classificação de Tokyo é um sistema amplamente aceito para determinar a gravidade da colecistite aguda, dividindo-a em três graus: leve (Grau I), moderada (Grau II) e grave (Grau III). O Grau III é caracterizado pela presença de disfunção orgânica, como cardiovascular, neurológica, respiratória, renal, hepática ou hematológica. Essa classificação auxilia na tomada de decisão terapêutica, indicando a necessidade de abordagens mais agressivas ou conservadoras. Em pacientes com colecistite aguda grave (Tokyo III) ou naqueles com alto risco cirúrgico e instabilidade hemodinâmica, a colecistectomia imediata pode ser contraindicada. Nesses casos, a colecistostomia percutânea, que consiste na drenagem da vesícula biliar através de um cateter, é uma opção terapêutica valiosa. Ela permite o controle da infecção e a estabilização do paciente, podendo ser uma medida definitiva ou uma ponte para a colecistectomia em um segundo momento, quando o paciente estiver em melhores condições.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para a classificação de Tokyo III na colecistite aguda?

A classificação de Tokyo III (grave) é definida pela presença de disfunção de qualquer um dos seguintes sistemas orgânicos: cardiovascular (hipotensão), neurológico (alteração da consciência), respiratório (hipoxemia), renal (oligúria/creatinina elevada), hepático (bilirrubina/INR elevada) ou hematológico (plaquetopenia).

Quando a colecistostomia é indicada no manejo da colecistite aguda?

A colecistostomia percutânea é indicada para pacientes com colecistite aguda grave (Tokyo III) ou moderada (Tokyo II) que apresentam alto risco cirúrgico ou instabilidade clínica que impede a colecistectomia imediata. Ela serve como uma medida de controle da fonte de infecção e estabilização do paciente.

Qual a diferença entre Síndrome de Mirizzi e íleo biliar?

A Síndrome de Mirizzi ocorre quando um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo da vesícula biliar comprime extrinsecamente o ducto hepático comum, causando icterícia obstrutiva. O íleo biliar, por sua vez, é uma obstrução mecânica do intestino delgado causada pela migração de um cálculo biliar para o lúmen intestinal, geralmente através de uma fístula colecistoentérica.

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