Colecistite Aguda Alitiásica: Fatores de Risco e Diagnóstico

AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Dentre as alternativas abaixo, qual apresenta fator de risco aumentado para colecistite aguda alitiásica?

Alternativas

  1. A) Cirrose hepática.
  2. B) Doença de Caroli. 
  3. C) Obesidade mórbida.
  4. D) Terapia nutricional prolongada.
  5. E) Sexo feminino. 

Pérola Clínica

Colecistite aguda alitiásica → associada a estase biliar em pacientes críticos, como na terapia nutricional prolongada.

Resumo-Chave

A colecistite aguda alitiásica é uma condição grave que ocorre na ausência de cálculos biliares, sendo mais comum em pacientes criticamente enfermos. A terapia nutricional parenteral prolongada é um fator de risco significativo, pois leva à estase biliar e à formação de lama biliar, predispondo à inflamação.

Contexto Educacional

A colecistite aguda alitiásica (CAA) é uma forma grave de inflamação da vesícula biliar que ocorre na ausência de cálculos biliares. Embora menos comum que a colecistite litiásica, a CAA é responsável por uma parcela significativa de morbimortalidade, especialmente em pacientes criticamente enfermos. Sua incidência é maior em unidades de terapia intensiva, e o reconhecimento precoce é fundamental devido ao risco de complicações como gangrena e perfuração. A fisiopatologia da CAA é multifatorial, envolvendo estase biliar, isquemia da parede da vesícula biliar e inflamação sistêmica. Fatores de risco incluem sepse, trauma grave, queimaduras extensas, grandes cirurgias, choque, diabetes, vasculites e, notavelmente, a terapia nutricional parenteral total (NPT) prolongada. A NPT prolongada inibe a liberação de colecistocinina, resultando em estase biliar e formação de lama, o que predispõe à inflamação. O diagnóstico da CAA pode ser desafiador em pacientes críticos, que muitas vezes não conseguem expressar sintomas típicos. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com febre inexplicável, leucocitose e dor abdominal difusa. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, mostrando espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e sinal de Murphy ultrassonográfico, na ausência de cálculos. O tratamento envolve suporte intensivo, antibióticos e, frequentemente, colecistectomia ou colecistostomia percutânea.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas da colecistite aguda alitiásica?

As principais causas incluem estase biliar, isquemia da vesícula biliar e infecção. É comum em pacientes críticos com sepse, trauma grave, queimaduras extensas, pós-operatório de grandes cirurgias e em uso prolongado de nutrição parenteral.

Como a terapia nutricional prolongada contribui para a colecistite alitiásica?

A ausência de ingestão oral e a estimulação da colecistocinina levam à estase biliar na vesícula, o que favorece a formação de lama biliar e a inflamação, mesmo sem cálculos.

Quais os sintomas e o diagnóstico da colecistite aguda alitiásica?

Os sintomas são semelhantes à colecistite litiásica (dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose), mas em pacientes críticos podem ser mascarados. O diagnóstico é feito por ultrassonografia abdominal, que pode mostrar espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e ausência de cálculos.

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