Colecistite Aguda Alitiásica: Diagnóstico em Pacientes Críticos

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 33 anos, internada em Unidade de Terapia Intensiva, há 7 dias, após realização de transplante pulmonar, intubada e sedada. Apresenta agudamente distensão abdominal, reação de dor à palpação abdominal em epigástrio, hipocôndrio direito. Realizada tomografia de abdome, corte coronal, que é apresentada a seguir:⦁ Exames laboratoriais: Leucócitos 17.000/mm³PCR: 210 mg/L TGO/AST: 120 U/L TGP/ALT: 160 U/L FA: 74 U/L GGT: 151 U/L Amilase: 170 U/L Lipase: 122 U/L Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto. 

Alternativas

  1. A) Úlcera perfurada. 
  2. B) Íleo metabólico. 
  3. C) Colecistite aguda alitiásica.
  4. D) Colangite. 

Pérola Clínica

Paciente crítico (UTI, pós-transplante) com dor abdominal, leucocitose, ↑ PCR e enzimas hepáticas → suspeitar Colecistite Aguda Alitiásica.

Resumo-Chave

A colecistite aguda alitiásica é uma condição grave, comum em pacientes críticos (UTI, pós-operatório, imunossuprimidos), caracterizada por inflamação da vesícula biliar sem cálculos. A apresentação clínica pode ser atípica em pacientes sedados, exigindo alta suspeição diante de distensão abdominal, dor à palpação e marcadores inflamatórios elevados.

Contexto Educacional

A colecistite aguda alitiásica (CAA) é uma inflamação grave da vesícula biliar sem a presença de cálculos biliares, representando cerca de 5-10% de todos os casos de colecistite aguda. É uma condição particularmente preocupante em pacientes críticos, como aqueles internados em UTI, pós-operatórios de grandes cirurgias, queimados, politraumatizados, imunossuprimidos ou com sepse, onde a mortalidade pode ser significativamente alta. A fisiopatologia da CAA envolve uma combinação de fatores, incluindo isquemia da parede da vesícula biliar, estase biliar (devido a jejum prolongado, nutrição parenteral total), disfunção da motilidade da vesícula, e inflamação sistêmica. A ausência de cálculos dificulta o diagnóstico, que muitas vezes depende de alta suspeição clínica em pacientes com apresentação atípica, como os sedados ou intubados, que não conseguem expressar dor. O diagnóstico é baseado em achados clínicos (distensão abdominal, dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose, elevação de marcadores inflamatórios e enzimas hepáticas), e exames de imagem, sendo a ultrassonografia o método inicial. O tratamento envolve suporte intensivo, antibióticos de amplo espectro e, frequentemente, intervenção cirúrgica (colecistectomia) ou percutânea (colecistostomia) para descompressão e drenagem da vesícula.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colecistite aguda alitiásica em pacientes críticos?

Em pacientes críticos, os sinais podem ser inespecíficos, como distensão abdominal, dor à palpação (se possível avaliar), febre, leucocitose, elevação de PCR e enzimas hepáticas. A ausência de cálculos biliares é característica.

Por que a colecistite aguda alitiásica é mais comum em pacientes de UTI?

Pacientes em UTI estão sujeitos a fatores de risco como isquemia da vesícula biliar, estase biliar (jejum prolongado, nutrição parenteral), sepse, imunossupressão e uso de vasopressores, que predispõem à inflamação da vesícula sem a presença de cálculos.

Qual o papel da imagem no diagnóstico da colecistite aguda alitiásica?

A ultrassonografia abdominal é o exame inicial, podendo mostrar espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico. A tomografia e a ressonância podem ser úteis para confirmar o diagnóstico e excluir outras patologias.

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