SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Mulher, 65 anos de idade, está internada em Unidade de Terapia Intensiva para tratamento depielonefrite e sepse há duas semanas, em uso de nutrição parenteral parcial, noradrenalina eantibiótico. A paciente é diabética e hipertensa. Evoluiu há dois dias com dor em hipocôndrio direito,náusea, vômitos e retorno da febre. Ao exame físico, regular estado geral, Temperatura: 38,5ºC,FC: 104 bpm, PA: 102x68 mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano,flácido, RHA presentes, dor à palpação em hipocôndrio direito com interrupção da inspiração à palpação profunda.\n\nIndique a conduta terapêutica mais adequada, caso a paciente evolua com piora hemodinâmica:
Paciente crítico + febre + dor em HCD sem cálculos = Colecistite Alitiásica → Colecistostomia se instável.
A colecistite alitiásica ocorre em pacientes graves por estase e isquemia; a drenagem percutânea é a escolha no paciente com instabilidade hemodinâmica.
A colecistite aguda alitiásica representa cerca de 10% de todos os casos de colecistite aguda, mas carrega uma mortalidade muito superior por ocorrer em pacientes já debilitados. É uma condição clássica de pacientes em ventilação mecânica, grandes queimados ou em pós-operatório de cirurgias complexas.\n\nO diagnóstico clínico é desafiador, pois o paciente muitas vezes está sedado ou confuso. A suspeita deve surgir diante de febre de origem indeterminada ou leucocitose em pacientes com fatores de risco. A drenagem percutânea revolucionou o tratamento, permitindo o controle do foco séptico com agressão mínima, reservando-se a colecistectomia definitiva para um momento de maior estabilidade clínica.
A fisiopatologia envolve uma combinação de estase biliar (devido ao jejum prolongado e ausência de estímulo de colecistoquinina) e isquemia da parede da vesícula (causada por hipotensão, sepse e uso de drogas vasoativas). A nutrição parenteral total (NPT) agrava a estase, favorecendo a inflamação sem a presença de cálculos.
Em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou alto risco cirúrgico, a conduta de escolha é a colecistostomia percutânea guiada por ultrassonografia ou tomografia. Este procedimento minimamente invasivo permite a descompressão da vesícula e drenagem do conteúdo infectado, servindo como ponte para estabilização clínica.
A ultrassonografia à beira do leito é o exame inicial. Os achados sugestivos incluem espessamento da parede da vesícula (> 3-4 mm), edema de parede, lama biliar e líquido pericolecístico, na ausência de cálculos biliares. O sinal de Murphy ultrassonográfico também é um achado importante.
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