Colecistite Alitiásica em UTI: Diagnóstico e Conduta

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 65 anos de idade, está internada em Unidade de Terapia Intensiva para tratamento depielonefrite e sepse há duas semanas, em uso de nutrição parenteral parcial, noradrenalina eantibiótico. A paciente é diabética e hipertensa. Evoluiu há dois dias com dor em hipocôndrio direito,náusea, vômitos e retorno da febre. Ao exame físico, regular estado geral, Temperatura: 38,5ºC,FC: 104 bpm, PA: 102x68 mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano,flácido, RHA presentes, dor à palpação em hipocôndrio direito com interrupção da inspiração à palpação profunda.\n\nIndique a conduta terapêutica mais adequada, caso a paciente evolua com piora hemodinâmica:

Alternativas

  1. A) Suspender a nutrição parenteral, aumentar a dose da noradrenalina e ampliar o espectro do antibiótico.
  2. B) Prescrever inibidor de bomba de prótons em dose terapêutica e antiácidos.
  3. C) Realizar drenagem percutânea da vesícula biliar guiada por ultrassonografia.
  4. D) Evitar medicações hepatotóxicas. Situação-Problema: Questões de 4 a 6. Homem, 20 anos de idade, é admitido no Pronto-Socorro, vítima de queda de moto há 30 minutos. Após o atendimento inicial, o paciente se apresentava estável hemodinamicamente e com um ferimento corto contundente na coxa direita, medindo cerca de 30,0cm de comprimento, com exposição da musculatura. Durante a exploração do ferimento, observou-se separação parcial da pele em relação às camadas subjacentes, formando uma cavidade profunda que permite a entrada da mão e do punho do examinador através da borda distal da ferida.

Pérola Clínica

Paciente crítico + febre + dor em HCD sem cálculos = Colecistite Alitiásica → Colecistostomia se instável.

Resumo-Chave

A colecistite alitiásica ocorre em pacientes graves por estase e isquemia; a drenagem percutânea é a escolha no paciente com instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

A colecistite aguda alitiásica representa cerca de 10% de todos os casos de colecistite aguda, mas carrega uma mortalidade muito superior por ocorrer em pacientes já debilitados. É uma condição clássica de pacientes em ventilação mecânica, grandes queimados ou em pós-operatório de cirurgias complexas.\n\nO diagnóstico clínico é desafiador, pois o paciente muitas vezes está sedado ou confuso. A suspeita deve surgir diante de febre de origem indeterminada ou leucocitose em pacientes com fatores de risco. A drenagem percutânea revolucionou o tratamento, permitindo o controle do foco séptico com agressão mínima, reservando-se a colecistectomia definitiva para um momento de maior estabilidade clínica.

Perguntas Frequentes

Por que a colecistite alitiásica ocorre em pacientes de UTI?

A fisiopatologia envolve uma combinação de estase biliar (devido ao jejum prolongado e ausência de estímulo de colecistoquinina) e isquemia da parede da vesícula (causada por hipotensão, sepse e uso de drogas vasoativas). A nutrição parenteral total (NPT) agrava a estase, favorecendo a inflamação sem a presença de cálculos.

Qual a conduta na piora hemodinâmica da colecistite alitiásica?

Em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou alto risco cirúrgico, a conduta de escolha é a colecistostomia percutânea guiada por ultrassonografia ou tomografia. Este procedimento minimamente invasivo permite a descompressão da vesícula e drenagem do conteúdo infectado, servindo como ponte para estabilização clínica.

Como é feito o diagnóstico por imagem?

A ultrassonografia à beira do leito é o exame inicial. Os achados sugestivos incluem espessamento da parede da vesícula (> 3-4 mm), edema de parede, lama biliar e líquido pericolecístico, na ausência de cálculos biliares. O sinal de Murphy ultrassonográfico também é um achado importante.

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