FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2021
Homem, 72 anos, diabético, internado na UTI há 15 dias por queimadura corporal extensa. Iniciou há poucas horas com dor em quadrante superior direito. Na ecografia de abdome total, apresenta vesícula biliar dilatada, com paredes espessadas, sem cálculos. Ao exame físico, apresenta distensão abdominal, pâncreas não visualizado e hemangioma de 2 cm no segmento IV do fígado. O diagnóstico mais provável é:
Colecistite alitiásica = paciente crítico (UTI, queimadura, sepse) + dor QSD + vesícula dilatada/espessada sem cálculos.
A colecistite aguda alitiásica é uma condição grave que ocorre em pacientes criticamente enfermos, como aqueles em UTI com queimaduras extensas. Caracteriza-se por inflamação da vesícula biliar sem a presença de cálculos, sendo o diagnóstico suspeitado clinicamente e confirmado por ultrassonografia que mostra vesícula dilatada e paredes espessadas.
A colecistite aguda alitiásica (CAA) é uma inflamação grave da vesícula biliar na ausência de cálculos biliares, representando cerca de 5-10% de todos os casos de colecistite aguda. É uma condição particularmente insidiosa e de alta mortalidade, que afeta predominantemente pacientes criticamente enfermos, como aqueles com grandes queimaduras, sepse, trauma ou internados em UTI por longos períodos. A fisiopatologia da CAA envolve isquemia da parede da vesícula biliar, estase biliar, infecção secundária e liberação de mediadores inflamatórios, desencadeados pelo estresse fisiológico. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser mascarados pela condição de base do paciente. A dor em quadrante superior direito, febre e leucocitose são indicativos, mas a ultrassonografia abdominal é crucial, mostrando espessamento da parede da vesícula (>3-4 mm), distensão vesicular e ausência de cálculos. O manejo da CAA é emergencial e inclui suporte clínico intensivo, antibioticoterapia de amplo espectro e, frequentemente, intervenção cirúrgica (colecistectomia) ou drenagem percutânea (colecistostomia) para descompressão da vesícula. Residentes devem ter alta suspeição para CAA em pacientes críticos, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade.
Os principais fatores de risco incluem pacientes criticamente enfermos (UTI), sepse, grandes queimaduras, trauma grave, cirurgias extensas, nutrição parenteral total prolongada, imunossupressão e diabetes descompensado.
O diagnóstico é baseado na suspeita clínica em pacientes de risco, exames laboratoriais (leucocitose, elevação de enzimas hepáticas) e, principalmente, na ultrassonografia abdominal, que revela espessamento da parede da vesícula, distensão e, por vezes, líquido pericolecístico, sem cálculos.
A conduta inicial envolve suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro e, frequentemente, drenagem da vesícula biliar (colecistostomia percutânea) ou colecistectomia, dependendo da estabilidade hemodinâmica do paciente e da gravidade do quadro.
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