Colecistite Alitiásica: Diagnóstico no Paciente Crítico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 65 anos de idade, está internada em Unidade de Terapia Intensiva para tratamento depielonefrite e sepse há duas semanas, em uso de nutrição parenteral parcial, noradrenalina eantibiótico. A paciente é diabética e hipertensa. Evoluiu há dois dias com dor em hipocôndrio direito,náusea, vômitos e retorno da febre. Ao exame físico, regular estado geral, Temperatura: 38,5ºC,FC: 104 bpm, PA: 102x68 mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano,flácido, RHA presentes, dor à palpação em hipocôndrio direito com interrupção da inspiração à palpação profunda.\n\nIndique o exame complementar mais adequado para a confirmação diagnóstica dessa complicação:

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de abdome superior.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome.
  3. C) Endoscopia digestiva alta.
  4. D) Dosagem de lípase e amílase sérica.

Pérola Clínica

Paciente crítico + NPT + febre/dor HCD → pensar em Colecistite Alitiásica (USG é 1ª linha).

Resumo-Chave

A colecistite alitiásica ocorre em pacientes graves devido à estase biliar e isquemia da parede da vesícula. A ultrassonografia é o exame inicial de escolha pela portabilidade e alta sensibilidade para espessamento de parede e líquido perivesicular.

Contexto Educacional

A colecistite aguda alitiásica representa cerca de 10% de todos os casos de colecistite aguda, mas ocorre predominantemente em pacientes gravemente enfermos (pós-operatórios de grandes cirurgias, trauma, queimados ou sepse). A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo estase biliar, isquemia e toxicidade direta de sais biliares concentrados.\n\nO diagnóstico clínico é desafiador, pois o paciente muitas vezes está sedado ou incapaz de localizar a dor. A febre de origem indeterminada em um paciente de UTI deve sempre levantar a suspeita. A ultrassonografia é o padrão-ouro inicial por ser não invasiva e realizável à beira leito, apresentando sensibilidade e especificidade superiores a 90% nesta população específica.

Perguntas Frequentes

Por que a nutrição parenteral predispõe à colecistite alitiásica?

A nutrição parenteral total (NPT) elimina o estímulo fisiológico para a liberação de colecistoquinina (CCK), que normalmente ocorre com a passagem de gorduras pelo duodeno. Sem a CCK, a vesícula biliar não se contrai, levando à estase biliar crônica e formação de lama biliar. Em pacientes críticos, essa estase combinada com desidratação e isquemia esplâncnica (frequentemente por uso de aminas) resulta em inflamação e necrose da parede vesicular sem a presença de cálculos.

Quais são os achados ultrassonográficos típicos?

Os achados incluem espessamento da parede da vesícula biliar (> 3-4 mm), presença de lama biliar (debris), líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico positivo (dor à compressão da vesícula com o transdutor). Em pacientes sedados, o sinal de Murphy pode estar ausente, tornando o espessamento da parede e a distensão vesicular os sinais mais importantes.

Qual o tratamento de escolha para colecistite alitiásica?

O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica e antibioticoterapia de amplo espectro. Devido à gravidade dos pacientes, a colecistostomia percutânea guiada por imagem é frequentemente preferida como medida de descompressão inicial. A colecistectomia (preferencialmente laparoscópica) é indicada se o paciente tiver condições cirúrgicas ou se houver evidência de gangrena ou perfuração.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo