IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 35 anos, obesa, com história conhecida de colelitíase, referindo dor em hipocôndrio direito de aspecto intermitente e crônico. Entretanto, piorou há 4 dias, quando se tornou constante, associado a calafrios esporádicos. Refere três episódios de vômitos nesse período. Ao exame físico, apresentase em regular estado geral, desidratada 2+, estável hemodinamicamente, com FC 100bpm, pele quente, pulso cheio. Abdome é sensível na topografia do quadrante superior direito. Laboratoriais com hemoglobina 12, leucócitos de 14.000/mm³, canaliculares elevadas, creatinina 1,5, INR 1,0. O diagnóstico é de colecistite aguda e pode ser classificada segundo o Guideline de Tokyo em
Colecistite Aguda (Tokyo): Grau II = inflamação local + leucocitose (>12.000) OU massa palpável OU duração >72h.
A paciente apresenta colecistite aguda com sinais de inflamação sistêmica (leucocitose de 14.000/mm³, FC 100bpm, pele quente, calafrios esporádicos) e inflamação local (dor em QSD, sensibilidade). A leucocitose acima de 12.000/mm³ é um critério para colecistite aguda de Grau II (moderada) segundo os Guidelines de Tokyo, que também incluem massa palpável em QSD ou duração dos sintomas >72 horas.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma das emergências abdominais mais comuns, com uma epidemiologia ligada à colelitíase. A importância clínica reside no risco de complicações graves como perfuração, abscesso e sepse se não tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve a obstrução do ducto cístico, levando ao acúmulo de bile, aumento da pressão intraluminal, isquemia da parede da vesícula e inflamação. O diagnóstico é clínico (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy), laboratorial (leucocitose, elevação de marcadores inflamatórios) e de imagem (ultrassonografia é o exame de escolha). Os Guidelines de Tokyo fornecem critérios diagnósticos e de classificação de gravidade que são amplamente utilizados. O tratamento da colecistite aguda inclui suporte clínico (hidratação, analgesia), antibioticoterapia e colecistectomia, preferencialmente laparoscópica. A classificação de gravidade pelos Guidelines de Tokyo (Grau I, II, III) é crucial para guiar o tempo e a abordagem cirúrgica, otimizando os resultados e minimizando as complicações.
O diagnóstico de colecistite aguda requer a presença de um sinal local de inflamação (Murphy positivo, massa/dor/sensibilidade em QSD), um sinal sistêmico de inflamação (febre, leucocitose, PCR elevada) e achados de imagem compatíveis (espessamento da parede da vesícula, cálculo impactado, líquido pericolecístico).
A colecistite aguda é classificada como Grau II se houver qualquer um dos seguintes: leucocitose >18.000/mm³ (ou >12.000/mm³ em algumas versões), massa palpável em QSD, duração dos sintomas >72 horas, ou inflamação local acentuada (gangrena, abscesso perivesicular, fístula entérica, peritonite localizada). No caso da questão, a leucocitose de 14.000 já indica Grau II.
A classificação de gravidade orienta a conduta terapêutica. Grau I (leve) pode ter colecistectomia precoce ou tardia. Grau II (moderada) geralmente requer colecistectomia precoce, mas com maior atenção ao manejo da inflamação. Grau III (grave) exige estabilização intensiva e drenagem biliar antes da cirurgia definitiva.
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