Colecistite Aguda: Reconheça o Sinal de Murphy e Conduta

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020

Enunciado

Maria, 41 anos, vem para atendimento de demanda espontânea no período da tarde referindo dor abdominal intensa, em cólica, com irradiação para dorso, que se iniciou há cerca de duas horas, logo depois do seu almoço no trabalho. Refere ainda náusea e dois episódios de vômitos durante o deslocamento do trabalho até a unidade de saúde de Marcos, seu médico de confiança. Ao abrir o prontuário da paciente, Marcos nota que a paciente já havia vindo mais de uma vez no último ano com quadro de dor na mesma localização. Ao exame se apresenta levemente febril, anictérica, apresentando dor à palpação de hipocôndrio direito com cessação abrupta do esforço inspiratório durante a palpação nesta região, o que o médico interpretou como um sinal indicativo de irritação peritoneal. Frente ao caso, o nome do sinal clínico descrito e a conduta mais adequada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) sinal de Murphy, estando indicado o referenciamento imediato para serviço de urgência para elucidação diagnóstica e avaliação de indicação cirúrgica
  2. B) sinal de Murphy, devendo-se medicar a paciente para o quadro doloroso recorrente e orientar retorno no dia seguinte, utilizando-se o princípio da demora permitida
  3. C) sinal de Blumberg, estando indicado o referenciamento imediato para serviço de urgência para elucidação diagnóstica e avaliação de indicação cirúrgica
  4. D) sinal de Blumberg, devendo-se medicar a paciente para o quadro doloroso recorrente e orientar retorno no dia seguinte, utilizando-se o princípio da demora permitida

Pérola Clínica

Sinal de Murphy + dor HD + febre → Colecistite aguda = Referência urgente.

Resumo-Chave

O sinal de Murphy, caracterizado pela cessação abrupta da inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito, é altamente sugestivo de colecistite aguda. Diante de um quadro clínico compatível e sinal positivo, a conduta é encaminhamento imediato para avaliação cirúrgica e elucidação diagnóstica.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, sendo uma das causas mais comuns de abdome agudo biliar. Sua prevalência é alta, especialmente em mulheres de meia-idade, e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como perfuração ou sepse. A fisiopatologia envolve a impactação de um cálculo no ducto cístico, levando à estase biliar, inflamação e, por vezes, infecção bacteriana secundária. O diagnóstico é clínico, com a tríade dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, e confirmado pelo sinal de Murphy positivo e exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal. O tratamento da colecistite aguda é primariamente cirúrgico, com a colecistectomia sendo o padrão-ouro. O manejo inicial inclui estabilização do paciente, analgesia, hidratação e antibioticoterapia empírica, seguido pela avaliação cirúrgica para definir o melhor momento para a intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colecistite aguda?

A colecistite aguda manifesta-se com dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, frequentemente irradiando para o dorso ou ombro, acompanhada de náuseas, vômitos e febre.

O que indica um sinal de Murphy positivo?

Um sinal de Murphy positivo, a interrupção da inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito, é um forte indicativo de inflamação da vesícula biliar, como na colecistite aguda.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de colecistite aguda?

A conduta inicial inclui analgesia, hidratação venosa e, principalmente, o referenciamento imediato para um serviço de urgência para confirmação diagnóstica (ex: ultrassonografia) e avaliação de indicação cirúrgica.

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