PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 64 anos é admitido em serviço de urgência com quadro de dor abdominal. Refere que essa dor já dura meses, sempre após se alimentar, localizada na região do hipocôndrio direito e epigástrio. No entanto, hoje ela iniciou e já dura 18 horas, sem alívio com medicamentos analgésicos que fez uso em casa. Ao exame físico, o paciente apresenta-se com fascies de dor, sem icterícia, febril e com sinal de Murphy presente. Caso fosse necessário, qual seria o exame complementar mais adequado para confirmação da suspeita diagnóstica?
Dor biliar > 6h + Febre + Murphy positivo = Colecistite Aguda (Exame: USG).
A colecistite aguda diferencia-se da cólica biliar pela duração da dor (>6h) e sinais inflamatórios (febre, leucocitose, Murphy), sendo a USG o exame inicial de escolha.
A colecistite aguda resulta geralmente da obstrução persistente do ducto cístico por um cálculo biliar, levando à distensão da vesícula, isquemia da mucosa e inflamação secundária. Clinicamente, manifesta-se como dor persistente no quadrante superior direito, frequentemente irradiando para a escápula, acompanhada de náuseas e febre. O diagnóstico baseia-se na tríade de sinais locais de inflamação (Murphy), sinais sistêmicos (febre/leucocitose) e achados de imagem. A compreensão da anatomia biliar e dos critérios de gravidade é essencial para decidir entre intervenção cirúrgica imediata ou drenagem percutânea em pacientes críticos.
O sinal de Murphy é um achado clássico no exame físico sugestivo de colecistite aguda. Ele é pesquisado solicitando ao paciente que realize uma inspiração profunda enquanto o examinador palpa o ponto cístico (abaixo do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular). O sinal é considerado positivo quando ocorre a interrupção súbita da inspiração devido à dor provocada pelo contato da vesícula biliar inflamada com a mão do examinador. Possui alta especificidade para inflamação da vesícula.
A ultrassonografia de abdome superior é o exame inicial preferencial para colecistite aguda devido à sua alta sensibilidade (85-95%) e especificidade, baixo custo, ausência de radiação e ampla disponibilidade. Os achados ultrassonográficos típicos incluem espessamento da parede da vesícula (> 4 mm), líquido pericolecístico, presença de cálculos impactados no infundíbulo e o sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à compressão da vesícula com o transdutor).
O tratamento definitivo para a colecistite aguda é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica. Segundo os Critérios de Tóquio (TG18), a cirurgia precoce (realizada preferencialmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas) está associada a melhores desfechos, menores taxas de conversão para cirurgia aberta e menor tempo de internação hospitalar em comparação com a cirurgia tardia após tratamento conservador inicial.
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