Colecistite Aguda: Diagnóstico por Imagem e Sinal de Murphy

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 64 anos é admitido em serviço de urgência com quadro de dor abdominal. Refere que essa dor já dura meses, sempre após se alimentar, localizada na região do hipocôndrio direito e epigástrio. No entanto, hoje ela iniciou e já dura 18 horas, sem alívio com medicamentos analgésicos que fez uso em casa. Ao exame físico, o paciente apresenta-se com fascies de dor, sem icterícia, febril e com sinal de Murphy presente. Caso fosse necessário, qual seria o exame complementar mais adequado para confirmação da suspeita diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome sem contraste.
  2. B) Radiografia de abdome,
  3. C) Tomografia computadorizada de abdome com contraste,
  4. D) Ultrassonografia de Abdome,
  5. E) Colangiopancreatografia endoscópica retrógada,

Pérola Clínica

Dor biliar > 6h + Febre + Murphy positivo = Colecistite Aguda (Exame: USG).

Resumo-Chave

A colecistite aguda diferencia-se da cólica biliar pela duração da dor (>6h) e sinais inflamatórios (febre, leucocitose, Murphy), sendo a USG o exame inicial de escolha.

Contexto Educacional

A colecistite aguda resulta geralmente da obstrução persistente do ducto cístico por um cálculo biliar, levando à distensão da vesícula, isquemia da mucosa e inflamação secundária. Clinicamente, manifesta-se como dor persistente no quadrante superior direito, frequentemente irradiando para a escápula, acompanhada de náuseas e febre. O diagnóstico baseia-se na tríade de sinais locais de inflamação (Murphy), sinais sistêmicos (febre/leucocitose) e achados de imagem. A compreensão da anatomia biliar e dos critérios de gravidade é essencial para decidir entre intervenção cirúrgica imediata ou drenagem percutânea em pacientes críticos.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o sinal de Murphy?

O sinal de Murphy é um achado clássico no exame físico sugestivo de colecistite aguda. Ele é pesquisado solicitando ao paciente que realize uma inspiração profunda enquanto o examinador palpa o ponto cístico (abaixo do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular). O sinal é considerado positivo quando ocorre a interrupção súbita da inspiração devido à dor provocada pelo contato da vesícula biliar inflamada com a mão do examinador. Possui alta especificidade para inflamação da vesícula.

Por que a USG é o exame de escolha?

A ultrassonografia de abdome superior é o exame inicial preferencial para colecistite aguda devido à sua alta sensibilidade (85-95%) e especificidade, baixo custo, ausência de radiação e ampla disponibilidade. Os achados ultrassonográficos típicos incluem espessamento da parede da vesícula (> 4 mm), líquido pericolecístico, presença de cálculos impactados no infundíbulo e o sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à compressão da vesícula com o transdutor).

Qual a conduta definitiva na colecistite aguda?

O tratamento definitivo para a colecistite aguda é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica. Segundo os Critérios de Tóquio (TG18), a cirurgia precoce (realizada preferencialmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas) está associada a melhores desfechos, menores taxas de conversão para cirurgia aberta e menor tempo de internação hospitalar em comparação com a cirurgia tardia após tratamento conservador inicial.

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