Colecistite Aguda: Diagnóstico e Sinais Chave

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina, 42 anos, procura atendimento médico queixando-se de dor abdominal há 3 dias, inicialmente em epigástrio que migrou para flanco e fossa ilíaca direita. Associa tal dor à vários episódios de vômitos, hiporexia e febre aferida. Nega melhora com uso de analgésicos simples. Nega diarreia. Nega sintomas urinários. Nega trauma. Nega colúria ou acolia fecal. Nega outras queixas. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, corada, desidratada, anictérica, acianótica, febril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos aumentados, doloroso difusamente com peritonite localizada em flanco e fossa ilíaca direita. Sinal de Murphy positivo. Exames séricos exibiram leucocitose, aumento de proteína C reativa dos níveis séricos aminotransferases hepáticas. Amilase, lipase e marcadores de colestase são normais. Foi submetida à tomografia de abdome com contraste abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda biliar.
  2. B) Colecistite aguda.
  3. C) Colangite aguda.
  4. D) Apendicite aguda.

Pérola Clínica

Dor QSD + Murphy + febre + leucocitose → Colecistite aguda.

Resumo-Chave

A colecistite aguda é caracterizada por dor abdominal em quadrante superior direito, febre, leucocitose e sinal de Murphy positivo. A migração da dor e a elevação de aminotransferases podem confundir, mas a ausência de marcadores de colestase e amilase/lipase normais afastam colangite e pancreatite, respectivamente.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma condição comum que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres, multíparas e pacientes com histórico de colelitíase. A importância clínica reside na necessidade de diferenciar de outras causas de dor abdominal aguda, como apendicite, pancreatite e úlcera péptica perfurada. A fisiopatologia envolve a impactação de um cálculo no ducto cístico, levando à estase biliar, inflamação química e, subsequentemente, infecção bacteriana. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e no sinal de Murphy, complementado por exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevada) e de imagem, sendo a ultrassonografia o método preferencial. Deve-se suspeitar em pacientes com dor em QSD, febre e náuseas/vômitos. O tratamento inicial inclui jejum, hidratação venosa, analgésicos e antibióticos. A colecistectomia é o tratamento definitivo, preferencialmente realizada precocemente (nas primeiras 72 horas) para reduzir morbidade. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas complicações como perfuração da vesícula, peritonite e sepse podem ocorrer se o tratamento for postergado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colecistite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em quadrante superior direito, que pode irradiar para o ombro ou dorso, febre, náuseas, vômitos e hiporexia. A dor é geralmente constante e intensa.

Como o sinal de Murphy auxilia no diagnóstico de colecistite?

O sinal de Murphy é positivo quando há interrupção súbita da inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito, devido à dor causada pela inflamação da vesícula biliar em contato com a mão do examinador. É um achado altamente sugestivo de colecistite.

Quais exames complementares são indicados para confirmar a colecistite aguda?

Exames laboratoriais mostram leucocitose e aumento de PCR. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, revelando espessamento da parede da vesícula, cálculos, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico. A tomografia pode ser útil em casos atípicos ou para descartar outras causas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo