UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2020
Amanda, nascida e criada no berço do samba, sempre curtia os preparativos deste dia. Após a última feijoada de que participou, queixou-se de dor abdominal moderada seguida de náuseas e vômitos. Após a persistência do desconforto, preferiu procurar um serviço de emergência. No Pronto Atendimento foi avaliada; ao exame clínico, apresentava-se hemodinamicamente estável e afebril, com o aparelho cardiorrespiratório sem alterações, mas com o exame do abdome revelando peristalse presente, sendo o mesmo flácido e doloroso à palpação em hipocôndrito direito, com dor intensa a ponto de limitar a inspiração e que se irradiava para o ombro direito. Exames complementares foram solicitados, revelando o leucograma leucocitose com desvio para a esquerda e o hepatograma, elevação discreta das transaminases, da fosfatase alcalina e da bilirrubina total (à custa da fração direta). O exame de imagem, realizado na emergência, fechou a hipótese diagnóstica mais provável para o caso acima. Após 48 horas da abordagem inicial, Amanda foi submetida a tratamento cirúrgico. No pós-operatório, Amanda apresentou importante dor em andar superior do abdome, em barra, associada ao aparecimento de hematomas em região umbilical e flanco direito, sendo internada no CTI. A conduta seguinte foi conservadora, permanecendo a paciente internada por longo período. Após a alta hospitalar, foi acompanhada no ambulatório da Cirurgia Geral, não apresentando novas intercorrências. Qual foi o provável exame de imagem solicitado na unidade de emergência para o esclarecimento do diagnóstico da patologia inicialmente apresentada pela paciente e seu resultado esperado?
Dor em QSD pós-prandial, náuseas, vômitos, leucocitose → USG abdominal para colecistite aguda.
A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de colecistite aguda. Achados típicos incluem cálculos biliares impactados no infundíbulo ou ducto cístico, espessamento da parede da vesícula biliar, líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda que requer hospitalização. A epidemiologia está associada a fatores de risco para colelitíase, como sexo feminino, idade avançada, obesidade e dieta rica em gordura. O quadro clínico típico envolve dor no quadrante superior direito do abdome, frequentemente pós-prandial (após refeições gordurosas), náuseas, vômitos e febre. Ao exame físico, o sinal de Murphy (dor à palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda) é característico. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia abdominal, que revela cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e, por vezes, o sinal de Murphy ultrassonográfico. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com desvio à esquerda e alterações discretas nas enzimas hepáticas e bilirrubinas. O tratamento inicial é conservador, com jejum, hidratação venosa, analgésicos e antibióticos, seguido de colecistectomia, preferencialmente laparoscópica, nas primeiras 72 horas. Complicações como pancreatite biliar, perfuração ou colangite podem ocorrer e exigem manejo específico.
Os sintomas clássicos incluem dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome, que pode irradiar para o ombro direito ou escápula, náuseas, vômitos, febre e, ocasionalmente, icterícia leve.
A ultrassonografia é não invasiva, amplamente disponível e eficaz na detecção de cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e no sinal de Murphy ultrassonográfico, confirmando o diagnóstico.
As complicações incluem pancreatite biliar (como no caso), colangite, perfuração da vesícula biliar, formação de abscesso, fístula colecistoentérica e íleo biliar.
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