Santa Casa de Barra Mansa (RJ) — Prova 2021
Paciente, 28 anos, sexo feminino, obesa, é admitida no Pronto Socorro com quadro de dor abdominal em cólica localizada em hipocôndrio direito há 48 horas. Refere náusea, vômito e febre de 38 graus, sem calafrio. Ao exame físico, paciente encontra-se com dor, taquicárdica, hipocorada, levemente ictérica, hidratada, com dor à palpação superficial e profunda do hipocôndrio direito. Durante a palpação profunda do quadrante superior direito do abdome, nota-se que a paciente suspende a inspiração. No exame laboratorial colhido, apresentava leucocitose leve de 14.000 células/mm³ e elevação mínima da bilirrubina. Qual o diagnóstico clínico mais provável:
Dor HD, febre, leucocitose + Murphy positivo → Colecistite aguda.
O quadro clínico de dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, febre, leucocitose e, classicamente, o sinal de Murphy positivo, é altamente sugestivo de colecistite aguda. A icterícia leve e a elevação mínima da bilirrubina podem ocorrer devido à inflamação periampular ou coledocolitíase associada, mas não afastam o diagnóstico principal.
A colecistite aguda é a inflamação aguda da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colecistite calculosa). É uma condição comum, especialmente em mulheres obesas de meia-idade, e representa uma emergência cirúrgica. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações graves como perfuração da vesícula ou sepse. O quadro clínico típico inclui dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, frequentemente irradiando para o ombro ou escápula direita, acompanhada de náuseas, vômitos e febre. Ao exame físico, o sinal de Murphy é um achado clássico e de alta sensibilidade. Laboratorialmente, observa-se leucocitose com desvio à esquerda. A icterícia leve e a elevação mínima da bilirrubina podem ocorrer devido à inflamação adjacente ao ducto biliar comum ou à presença de cálculos no colédoco, mas não são os achados primários. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por exames laboratoriais e confirmado por exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal, que pode mostrar espessamento da parede da vesícula, cálculos, líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico. O tratamento definitivo é a colecistectomia, geralmente laparoscópica, que deve ser realizada preferencialmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas.
Os critérios de Tokyo incluem sinais de inflamação local (Murphy positivo, massa/dor/sensibilidade em QSD), sinais de inflamação sistêmica (febre, leucocitose, PCR elevado) e achados de imagem característicos (espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico).
O sinal de Murphy é a interrupção súbita da inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito, devido à dor causada pela inflamação da vesícula biliar. É um sinal altamente sugestivo de colecistite aguda, embora sua sensibilidade possa variar.
Sim, uma icterícia leve pode estar presente na colecistite aguda devido à inflamação periampular que obstrui temporariamente o ducto biliar comum, ou pela associação com coledocolitíase. No entanto, icterícia proeminente sugere colangite ou coledocolitíase primária.
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