Colecistite Aguda: Diagnóstico Diferencial e Manejo Inicial

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 42 anos, sexo feminino, previamente hígida, deu entrada no pronto atendimento às 20 horas, com história de dor em hipocôndrio direito de forte intensidade, de início pela manhã do mesmo dia, associado à náusea e vômitos biliosos. Nega episódios semelhantes anteriores. Nega comorbidades associadas. Ao exame físico, encontra-se estável hemodinamicamente, anictérica, com dor à palpação abdominal em quadrante superior direito e sinal de Murphy positivo. O restante do exame físico apresenta-se sem alterações. Referente ao provável diagnóstico do caso clínico acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O sintoma mais importante de um quadro de colecistite aguda é a dor. Ao contrário da cólica biliar, a dor da colecistite aguda persiste por mais de seis horas.
  2. B) A paciente referida apresenta quadro clínico compatível com cólica biliar - dor biliar, podendo ser liberada sem maiores investigações. Deverá apenas ser submetida à analgesia intra-hospitalar e receber alta com orientações dietéticas.
  3. C) A colangioressonância é o exame diagnóstico de escolha no caso de colecistite aguda e sempre deverá ser realizado na investigação desse quadro clínico.
  4. D) A prioridade do tratamento da colecistite aguda é o uso de antibióticos parenterais, sendo o tratamento cirúrgico uma segunda opção.
  5. E) A colecistectomia no caso de um quadro de colecistite aguda não deverá ser realizada precocemente pelo risco aumentado de lesão de vias biliares nesses casos.

Pérola Clínica

Dor em QSD > 6h + Murphy positivo + náuseas/vômitos → Colecistite Aguda.

Resumo-Chave

A colecistite aguda se diferencia da cólica biliar pela persistência da dor em hipocôndrio direito por mais de 6 horas, associada a sinais inflamatórios locais (Murphy positivo) e sistêmicos (febre, leucocitose, embora não presentes no enunciado, são comuns). A cólica biliar é uma dor intermitente e autolimitada.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a estase biliar, aumento da pressão intraluminal e inflamação da parede vesicular. É uma condição comum que se manifesta com dor intensa em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos e, frequentemente, febre e leucocitose. A diferenciação da cólica biliar, que é uma dor autolimitada e sem inflamação persistente, é crucial para o manejo adequado. O diagnóstico é clínico, com a presença de dor em quadrante superior direito e sinal de Murphy positivo (interrupção da inspiração profunda à palpação do hipocôndrio direito). A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, revelando cálculos, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e, por vezes, o sinal de Murphy ultrassonográfico. A colangioressonância é mais utilizada para avaliar as vias biliares em casos de suspeita de coledocolitíase ou outras complicações. O tratamento da colecistite aguda envolve analgesia, hidratação, antibióticos (para cobrir bactérias gram-negativas e anaeróbios) e, principalmente, a colecistectomia. A cirurgia precoce (dentro de 72 horas do início dos sintomas) é o padrão-ouro, pois está associada a menor morbidade e menor taxa de conversão para cirurgia aberta. A postergação da cirurgia pode levar a um aumento da inflamação local e maior dificuldade técnica, embora o risco de lesão de vias biliares não seja significativamente maior se realizada por cirurgião experiente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda?

Os critérios incluem dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, e evidência de inflamação na ultrassonografia (cálculos, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico). Febre e leucocitose também são comuns.

Qual a diferença entre cólica biliar e colecistite aguda?

A cólica biliar é uma dor intermitente, autolimitada (geralmente < 6 horas), causada pela obstrução transitória do ducto cístico. A colecistite aguda é uma inflamação persistente da vesícula biliar, com dor contínua (> 6 horas) e sinais inflamatórios.

Qual o tratamento definitivo para colecistite aguda?

O tratamento definitivo é a colecistectomia laparoscópica, preferencialmente precoce (nas primeiras 72 horas), para reduzir complicações e tempo de internação. Antibióticos são indicados para cobrir possíveis infecções bacterianas secundárias.

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