UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Paciente de 28 anos, puérpera (parto normal há 30 dias), estudante, deu entrada em pronto atendimento com queixa de dor em hipocôndrio direito há 10 horas, associada a náuseas e vômitos. Refere episódios semelhantes recorrentes há 3 meses. Paciente obesa e em tratamento para transtorno de ansiedade com alprazolan. Ao exame físico apresentava-se desidratada (+/ 4+), anictérica, eupneica e com abdome globoso, doloroso à palpação profunda em hipocôndrio direito, sinal de murphy +. Exames laboratoriais demonstraram leucócitos de 13550 (bastões 4 / segmentados 89); bilirrubinas totais de 0,8; fosfatase alcalina e gama gt sem alterações, ureia 40, creatinina 0,7, amilase 56. Ultrassonografia de abdome superior demonstrou vesícula biliar de paredes espessadas contendo cálculos em seu interior, o maior de 1,0 cm, com ausência de dilatação de vias biliares intra e extra hepáticas. Sobre o caso descrito, é CORRETO afirmar:
Colecistite aguda com Murphy + e USG típica → colecistectomia videolaparoscópica precoce (até 72h).
O quadro clínico (dor em HD, náuseas, vômitos, Murphy +), leucocitose e ultrassonografia com espessamento da parede vesicular e cálculos são diagnósticos de colecistite aguda. A colecistectomia videolaparoscópica precoce (preferencialmente nas primeiras 72 horas) é o tratamento de escolha, sem necessidade de suspender medicações essenciais.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a estase biliar, aumento da pressão intraluminal e inflamação. É uma condição comum, especialmente em mulheres, obesas, multíparas e em uso de estrogênios, como a paciente puérpera do caso. A apresentação clássica inclui dor intensa em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose) e de imagem, sendo a ultrassonografia de abdome superior o exame de escolha. Ela pode demonstrar cálculos, espessamento da parede da vesícula (>3mm), líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico. A ausência de dilatação de vias biliares e enzimas hepáticas normais afasta a coledocolitíase concomitante. O tratamento padrão ouro para colecistite aguda é a colecistectomia videolaparoscópica. A cirurgia precoce, idealmente nas primeiras 24 a 72 horas do início dos sintomas, é recomendada para reduzir a taxa de conversão para cirurgia aberta, complicações e tempo de internação. A antibioticoterapia e hidratação endovenosa são medidas de suporte pré-operatórias, mas não substituem a cirurgia definitiva. Não há necessidade de interromper medicações usuais, como o alprazolam, antes da cirurgia, a menos que haja contraindicação específica.
O diagnóstico de colecistite aguda baseia-se na tríade de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, associada a achados de imagem como espessamento da parede da vesícula biliar e cálculos.
A colecistectomia videolaparoscópica deve ser realizada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 24 a 72 horas do início dos sintomas, para reduzir a morbidade e o tempo de internação.
A colangiorressonância ou colangiografia intraoperatória são indicadas quando há suspeita de coledocolitíase (dilatação de vias biliares, icterícia, elevação de bilirrubinas/enzimas hepáticas), o que não foi evidenciado neste caso.
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