SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um homem de setenta anos de idade, portador de doença de Chagas e internado na UTI por insuficiência cardíaca congestiva (tem fração de ejeção de 25% no ecocardiograma), começou a queixar-se de dor no hipocôndrio direito. Realizou, então, um ultrassom de abdome, que mostrou vesícula biliar de paredes espessadas, hipodistendida e sem cálculos, e hepatomegalia. Ao exame físico, ele apresentava dor no hipocôndrio direito e sinal de Murphy negativo. Seus exames laboratoriais não mostravam aumento de bilirrubinas nem leucocitose. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Dor HD + USG com vesícula espessada/hipodistendida, mas Murphy negativo + sem leucocitose/hiperbilirrubinemia → não fecha critérios para colecistite aguda.
Para o diagnóstico de colecistite aguda, são necessários critérios clínicos (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo), laboratoriais (leucocitose, PCR elevada) e de imagem (espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular, cálculos). A ausência do sinal de Murphy, leucocitose e hiperbilirrubinemia, mesmo com alterações ultrassonográficas, sugere que o paciente não preenche os critérios completos para colecistite aguda, especialmente em um contexto de insuficiência cardíaca que pode causar espessamento da vesícula por congestão.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colecistite litiásica). O diagnóstico baseia-se em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Clinicamente, o paciente apresenta dor em hipocôndrio direito, febre e, classicamente, o sinal de Murphy positivo. Laboratorialmente, espera-se leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, mostrando espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e, frequentemente, cálculos. No caso apresentado, o paciente tem dor em hipocôndrio direito e achados ultrassonográficos de espessamento e hipodistensão da vesícula, mas o sinal de Murphy é negativo e não há leucocitose ou hiperbilirrubinemia. A ausência desses critérios clínicos e laboratoriais é crucial. Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, como o caso, podem apresentar espessamento da parede da vesícula biliar devido à congestão venosa e edema, sem que haja um processo inflamatório agudo da vesícula. Portanto, a ausência de um conjunto completo de critérios diagnósticos impede a confirmação de colecistite aguda. É fundamental considerar o contexto clínico geral do paciente e os diagnósticos diferenciais, especialmente em pacientes graves ou com comorbidades que podem alterar a apresentação típica da doença.
Os critérios incluem dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose e achados de imagem como espessamento da parede da vesícula biliar (>3mm), líquido perivesicular ou cálculos impactados.
O sinal de Murphy (interrupção da inspiração profunda à palpação do hipocôndrio direito) é um achado clínico chave que indica inflamação da vesícula biliar, sendo um dos critérios maiores para o diagnóstico de colecistite aguda.
Condições como insuficiência cardíaca congestiva, hipoalbuminemia, hepatite aguda, ascite e cirrose podem causar espessamento da parede da vesícula biliar no ultrassom, mimetizando a colecistite aguda, mas sem os outros critérios clínicos e laboratoriais de inflamação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo