Colecistite Aguda: Diagnóstico Clínico e por Imagem

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 30 anos, obesa, há 4 dias com dor abdominal epigástrica associada a vômitos. Ao exame físico: fáscies de dor, anictérica, pálida, sudoreica, abdome doloroso a palpação profunda difusamente. Sinal de Murphy positivo. Restante do exame físico sem particularidades. Exames séricos evidenciaram leucocitose, sem desvio à esquerda. Amilase e lipase normais. Sem alteração de marcadores cananiculares de via biliar. A ecografia de abdome evidenciou espessamento parietal da vesícula biliar, com bile espessa e delaminação de sua parede. Assinale a alternativa com a hipótese diagnóstica mais provável.

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda.
  2. B) Pancreatite aguda.
  3. C) Hepatite aguda.
  4. D) Abscesso hepático.

Pérola Clínica

Colecistite aguda = Murphy + USG (espessamento, delaminação) mesmo com amilase/lipase normais.

Resumo-Chave

A colecistite aguda é caracterizada pela inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico. O sinal de Murphy positivo e achados ultrassonográficos como espessamento e delaminação da parede vesicular são cruciais para o diagnóstico, mesmo na ausência de elevação de amilase/lipase, que descartam pancreatite.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma condição inflamatória da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a estase e inflamação. É uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda que requer intervenção cirúrgica. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres, obesos e pacientes com histórico de cálculos biliares. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações como perfuração e peritonite. O diagnóstico da colecistite aguda baseia-se na tríade de sintomas (dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose), exame físico (sinal de Murphy positivo) e achados de imagem. A ultrassonografia de abdome superior é o método diagnóstico inicial preferencial, revelando espessamento da parede da vesícula, cálculos, líquido perivesicular e, em casos graves, delaminação da parede. A ausência de elevação de amilase e lipase ajuda a excluir pancreatite aguda, um importante diagnóstico diferencial. O tratamento da colecistite aguda envolve suporte clínico (analgesia, hidratação), antibioticoterapia e colecistectomia, preferencialmente laparoscópica. A cirurgia é geralmente indicada nas primeiras 72 horas do início dos sintomas para reduzir o risco de complicações e facilitar o procedimento. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas atrasos podem levar a morbidade significativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da colecistite aguda?

A colecistite aguda manifesta-se com dor abdominal em hipocôndrio direito ou epigástrio, náuseas, vômitos e febre. O sinal de Murphy positivo, dor à palpação profunda do hipocôndrio direito durante a inspiração, é um achado clássico.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da colecistite aguda?

A ultrassonografia é o exame de imagem de escolha. Ela pode evidenciar cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula (>3-4mm), líquido perivesicular, sinal de Murphy ultrassonográfico e delaminação da parede, que sugere processo inflamatório grave.

Como diferenciar colecistite aguda de pancreatite aguda ou cólica biliar?

A colecistite aguda se diferencia da pancreatite pela normalidade da amilase e lipase e pelo foco da dor e achados de imagem na vesícula. Da cólica biliar, diferencia-se pela persistência da dor por mais de 6 horas, febre e sinais inflamatórios sistêmicos e locais.

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