Colecistite Aguda: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica Atual

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Uma mulher, com 36 anos de idade, casada, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor tipo cólica, intensa e constante há três dias, náuseas, vômitos, tendo feito várias aplicações de analgésicos parenterais. Há cerca de seis meses, vem apresentando crises de dor abdominal semelhantes, porém de intensidade menor em hipocôndrio direito com irradiação para o dorso, do tipo cólica, predominantemente noturnas e após a ingestão de alimentos gordurosos. No momento, ela está com temperatura de 38,1°C, com fácies de dor, taquicárdica, com dor intensa à palpação do hipocôndrio direito e com a presença de sinal de Murphy. Com base nessas informações, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Administrar novamente analgésicos, com alta e orientação para procurar ambulatório de cirurgia para programar colecistectomia eletiva.
  2. B) Administrar analgésicos e antibióticos, com alta e orientação para procurar ambulatório de cirurgia para programar colecistectomia eletiva.
  3. C) Administrar analgésicos, com internação hospitalar até melhora da dor e alta para programar colecistectomia eletiva.
  4. D) Administrar analgésicos e antibióticos, com internação hospitalar até “esfriar o processo” seguida de alta para programar colecistectomia.
  5. E) Administrar analgésicos e antibióticos, com internação hospitalar e programar colecistectomia.

Pérola Clínica

Murphy (+) + Febre + Dor > 24h → Colecistite Aguda. Conduta: Internação + Antibiótico + Colecistectomia Precoce.

Resumo-Chave

A colecistite aguda é uma urgência cirúrgica. O tratamento padrão-ouro envolve estabilização clínica com antibióticos e colecistectomia videolaparoscópica, preferencialmente nas primeiras 72 horas.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo inflamatório. O diagnóstico é clínico-laboratorial auxiliado por imagem (ultrassonografia de abdome superior como primeira escolha). O sinal de Murphy, caracterizado pela interrupção súbita da inspiração profunda durante a palpação do ponto cístico, possui alta especificidade. O manejo moderno prioriza a intervenção cirúrgica precoce. A ideia de 'esfriar' o processo inflamatório com antibióticos para operar meses depois caiu em desuso para a maioria dos pacientes, pois a inflamação crônica e as aderências subsequentes podem tornar a cirurgia tardia tecnicamente mais difícil do que a abordagem na fase aguda inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da colecistite aguda?

A colecistite aguda manifesta-se tipicamente com dor persistente no hipocôndrio direito (frequentemente com sinal de Murphy positivo), febre e leucocitose. Diferente da cólica biliar simples, a dor na colecistite dura mais de 6 horas e não cede completamente com analgésicos comuns, indicando um processo inflamatório estabelecido na parede da vesícula biliar, geralmente por obstrução litiásica do ducto cístico.

Por que realizar a colecistectomia precocemente?

Estudos e consensos como o de Tóquio (TG18) demonstram que a colecistectomia precoce (realizada preferencialmente em até 72-96 horas do início dos sintomas) é superior à conduta conservadora seguida de cirurgia tardia. Ela reduz o tempo total de internação hospitalar, diminui custos e evita a recorrência de crises ou complicações biliares durante o período de espera, sem aumentar significativamente a taxa de conversão para cirurgia aberta.

Quais antibióticos são indicados na colecistite?

A antibioticoterapia deve cobrir germes gram-negativos entéricos (como E. coli e Klebsiella) e anaeróbios. Opções comuns incluem cefalosporinas de terceira geração associadas ao metronidazol, ou quinolonas com metronidazol. Em casos leves a moderados, a cobertura visa prevenir a sepse biliar e tratar a infecção da parede da vesícula, sendo fundamental como ponte para o tratamento definitivo cirúrgico.

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