Colecistite Aguda: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente sexo masculino, 76 anos, dá entrada no setor de emergência do hospital com quadro de abdominal intensa em hipocôndrio direito. O exame físico mostra dor a palpação superficial e profunda em hipocôndrio direito com sinal de Murphy positivo. Exame laboratorial não mostra leucocitose ou desvio a esquerda, radiografia de tórax não há evidência de pneumonia. Ultrassonografia abdominal mostra espessura da parede vesicular de 0,8 cm conforme figura abaixo: A respeito do caso marque a resposta correta:

Alternativas

  1. A) tendo em vista a idade do doente, a melhor conduta consiste em antibioticoterapia apenas.
  2. B) como não há leucocitose, não há necessidade de cirurgia de urgência.
  3. C) a melhor opção terapêutica inclui preparo pré-operatório curto com risco cirúrgico e colecistectomia assim que for possível.
  4. D) A colecistostomia percutânea é melhor que a colecistectomia laparoscópica nos doentes que podem ser submetidos a qualquer um dos procedimentos.

Pérola Clínica

Colecistite aguda: Murphy + USG com espessamento vesicular → colecistectomia precoce após estabilização.

Resumo-Chave

A colecistite aguda, mesmo sem leucocitose, exige tratamento definitivo. A colecistectomia é o padrão-ouro, devendo ser realizada precocemente (nas primeiras 72h) após estabilização clínica e avaliação do risco cirúrgico, especialmente em idosos.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma condição comum que requer atenção médica imediata, sendo mais prevalente em mulheres e idosos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves e reduzir a morbimortalidade. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, embora nem todos os critérios estejam sempre presentes. O sinal de Murphy positivo ao exame físico e achados ultrassonográficos como espessamento da parede vesicular, cálculos e líquido pericolecístico são altamente sugestivos. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a inflamação química e bacteriana da parede vesicular. O tratamento padrão-ouro é a colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica. A cirurgia deve ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, após estabilização clínica do paciente com fluidos e antibioticoterapia. Em pacientes de alto risco cirúrgico, a colecistostomia percutânea pode ser uma alternativa temporária, mas não é superior à colecistectomia em pacientes que podem ser submetidos a ambos os procedimentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da colecistite aguda?

A colecistite aguda tipicamente se manifesta com dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, que pode irradiar para o ombro ou dorso. O sinal de Murphy positivo (interrupção da inspiração profunda à palpação do QSD) é um achado clássico ao exame físico.

Qual é o papel da ultrassonografia no diagnóstico da colecistite aguda?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico da colecistite aguda. Ela pode revelar cálculos biliares, espessamento da parede vesicular (>3mm), líquido pericolecístico e o sinal de Murphy ultrassonográfico, confirmando a inflamação.

Por que a colecistectomia é a melhor opção terapêutica para a colecistite aguda?

A colecistectomia (remoção da vesícula biliar) é o tratamento definitivo para a colecistite aguda, pois remove a fonte da inflamação e previne recorrências e complicações como perfuração ou gangrena. A cirurgia precoce, geralmente nas primeiras 72 horas, é preferível para melhores resultados.

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