Colecistite Aguda: Diagnóstico e Conduta por Videolaparoscopia

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Mulher de 50 anos com dor epigástrica aguda e, depois, mantida na localização de hipocôndrio direito (HCD) e irradiação para região toracolombar direita há dois dias; alguns episódios de vômitos biliosos; sem febre. Ao exame físico: bom estado geral; IMC-30; corada; anictérica; afebril; abdome levemente globoso por obesidade, defesa no HCD, DB negativo e sem visceromegalias. Ultrassonografia de abdome superior revelou: vesícula biliar com parede espessa e delaminada, e um cálculo de 1,5 cm fixo no infundíbulo; hepatocolédoco com 4 mm. Sem comorbidades. O local do atendimento é um hospital com boas condições de equipamentos e recursos humanos. A conduta mais adequada, nessas circunstâncias, seria:

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar para tratamento clínico com antibiótico, para “esfriar o processo”.
  2. B) Tratamento domiciliar.
  3. C) Indicação emergencial de colecistectomia por laparotomia. 
  4. D) Tratamento endoscópico.
  5. E) Indicação de colecistectomia videolaparoscópica.

Pérola Clínica

Colecistite aguda (USG + clínica) → colecistectomia videolaparoscópica precoce.

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor em HCD, vômitos, defesa) associado aos achados ultrassonográficos (cálculo impactado no infundíbulo, parede espessada e delaminada) é altamente sugestivo de colecistite aguda. A colecistectomia videolaparoscópica precoce (nas primeiras 72h) é a conduta de escolha, pois reduz complicações e tempo de internação, sendo o tratamento definitivo.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando a um quadro de dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e, por vezes, febre. É uma condição comum na prática cirúrgica e um tema frequente em exames de residência, exigindo um diagnóstico rápido e uma conduta terapêutica adequada para evitar complicações graves como perfuração vesicular ou sepse. O diagnóstico é clínico e confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia de abdome superior o método de escolha. Achados como espessamento da parede vesicular (>3-4 mm), presença de líquido pericolecístico, cálculo impactado no infundíbulo ou ducto cístico, e sinal de Murphy ultrassonográfico são altamente sugestivos. O caso descrito, com dor em HCD, defesa e achados ultrassonográficos típicos, configura um quadro de colecistite aguda. A conduta mais adequada para a colecistite aguda é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica. A cirurgia precoce, idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, está associada a menor morbidade, menor tempo de internação e menor taxa de conversão para cirurgia aberta. O tratamento clínico inicial com antibióticos e analgésicos é um adjuvante importante para estabilizar o paciente, mas não é o tratamento definitivo. O tratamento endoscópico (CPRE) seria indicado se houvesse coledocolitíase associada, o que não é o caso aqui (colédoco de 4 mm).

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda?

O diagnóstico de colecistite aguda baseia-se na presença de sinais de inflamação local (sinal de Murphy positivo, massa em HCD, dor e defesa) e sistêmica (febre, leucocitose, PCR elevada), confirmados por exames de imagem como ultrassonografia, que mostra espessamento da parede vesicular, cálculo impactado e líquido pericolecístico.

Qual o papel do tratamento clínico com antibióticos na colecistite aguda?

O tratamento clínico inicial com antibióticos e analgésicos é importante para controlar a infecção e a inflamação, estabilizando o paciente antes da cirurgia. No entanto, ele não substitui a necessidade da colecistectomia, que é o tratamento definitivo para a condição.

Por que a colecistectomia videolaparoscópica é preferível à laparotomia na colecistite aguda?

A colecistectomia videolaparoscópica é a abordagem padrão-ouro devido a menor dor pós-operatória, menor tempo de internação, recuperação mais rápida e melhores resultados estéticos, quando comparada à laparotomia, especialmente se realizada precocemente nas primeiras 72 horas.

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