HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024
Mulher de 23 anos de idade procurou pronto-socorro por dor em hipocôndrio direito, com irradiação para o dorso ipsilateralmente há dois dias. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, anictérica, temperatura de 37,8°C, estável hemodinamicamente. Abdome globoso, doloroso à palpação de hipocôndrio direito e com pausa da inspiração durante palpação profunda de hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais revelaram leucócitos 14.500/mm³ (VR: 4.000 - 11.000/mm3), PCR 30mg/dL (VR < 1mg/dL) e bilirrubinas totais 0,9mg/dL (VR: 0,20 a 1,10 mg/dL), sem outras alterações. Considerando a principal hipótese diagnóstica para essa paciente, os achados ultrassonográficos mais frequentemente encontrados seriam:
Colecistite aguda: Dor HD + Murphy + febre + leucocitose → USG com vesícula hiperdistendida, parede espessada, sem dilatação de vias.
A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. O diagnóstico é clínico (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose) e confirmado pela ultrassonografia. Os achados ultrassonográficos típicos incluem vesícula biliar hiperdistendida, espessamento da parede (>3-4mm), presença de cálculos e, por vezes, líquido pericolecístico, sem dilatação das vias biliares intra ou extra-hepáticas, o que a diferencia da coledocolitíase ou colangite.
A colecistite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo crucial para o residente dominar seu diagnóstico e manejo. A maioria dos casos é litiásica, ou seja, causada por cálculos biliares. A ultrassonografia é o método de imagem de primeira linha devido à sua acessibilidade, baixo custo e alta sensibilidade para detectar os achados característicos. O tratamento definitivo geralmente envolve a colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica, após estabilização clínica do paciente.
O diagnóstico de colecistite aguda baseia-se em critérios clínicos (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre), laboratoriais (leucocitose, PCR elevada) e de imagem (ultrassonografia mostrando espessamento da parede da vesícula, cálculos, líquido pericolecístico e vesícula hiperdistendida).
O sinal de Murphy é um achado clínico clássico e altamente sugestivo de colecistite aguda. Consiste na interrupção súbita da inspiração profunda do paciente durante a palpação do hipocôndrio direito, devido à dor causada pela inflamação da vesícula biliar em contato com a mão do examinador.
Na colecistite aguda, a ultrassonografia mostra espessamento da parede da vesícula, cálculos impactados no ducto cístico e ausência de dilatação das vias biliares. Na coledocolitíase, o achado principal é a dilatação do ducto colédoco, com ou sem visualização direta do cálculo no colédoco, e frequentemente associada a icterícia.
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