HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023
Paciente feminina, 46 anos, hipertensa e diabética, em uso de losartana, metformina e liraglutida, procura atendimento médico queixando-se de dor abdominal de início há 4 dias, inicialmente em cólicas, tornando-se progressiva no último dia, associada à febre hoje, queda do estado geral e vômitos. Refere que já apresentou episódios prévios semelhantes sem investigação adequada. Nega alterações urinárias e evacuatórias. Ao exame físico: regular estado geral, taquicárdica, normotensa, anictérica, acianótica, febril, desidratada. Abdome levemente distendido, depressível, doloroso em hipocôndrio direito, com sinal de Murphy positivo, sem sinais de peritonite difusa. Realizou exames séricos que evidenciaram leucocitose e acidose metabólica leve. Bilirrubinas e lipase normais. Realizou também os exames de imagem abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.
Dor em HD + febre + leucocitose + Murphy positivo + lipase/bilirrubinas normais → Colecistite Aguda.
A colecistite aguda é caracterizada por inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico. A tríade clássica inclui dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, com o sinal de Murphy positivo sendo altamente sugestivo. A ausência de icterícia e lipase normal ajuda a diferenciar de colangite e pancreatite, respectivamente.
A colecistite aguda é uma condição inflamatória da vesícula biliar, geralmente precipitada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma das causas mais comuns de abdome agudo e requer diagnóstico e tratamento oportunos para evitar complicações graves. A apresentação clínica típica envolve dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome, frequentemente irradiando para o ombro direito ou dorso, acompanhada de febre, náuseas e vômitos. Ao exame físico, o sinal de Murphy positivo é um achado clássico e de grande valor diagnóstico, indicando a inflamação da vesícula biliar. Laboratorialmente, observa-se leucocitose com desvio à esquerda. Diferentemente da colangite, as bilirrubinas e enzimas hepáticas geralmente permanecem normais, a menos que haja coledocolitíase associada. A lipase e amilase normais ajudam a excluir pancreatite. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, evidenciando cálculos, espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico. O manejo inicial inclui analgesia, hidratação venosa e antibioticoterapia. A colecistectomia é o tratamento definitivo, preferencialmente realizada precocemente (nas primeiras 72 horas) para reduzir o risco de complicações como perfuração, empiema ou fístula. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente a colecistite aguda e iniciar o manejo adequado, diferenciando-a de outras causas de dor abdominal.
Os principais sinais e sintomas incluem dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e o sinal de Murphy positivo ao exame físico. Pode haver também leucocitose nos exames laboratoriais.
O sinal de Murphy é positivo quando o paciente interrompe a inspiração profunda devido à dor aguda ao ser palpado o hipocôndrio direito, sob o rebordo costal. Isso ocorre devido à inflamação da vesícula biliar e é um achado altamente sugestivo de colecistite aguda.
O diagnóstico diferencial inclui cólica biliar, colangite aguda, pancreatite aguda, hepatite, úlcera péptica perfurada, pneumonia de base direita e pielonefrite. Exames laboratoriais e de imagem são cruciais para a distinção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo