Colecistite Aguda: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico Ideal

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 62 anos de idade dá entrada no serviço de emergência com dor abdominal em hipocôndrio direito, temperatura axilar de 37,8ºC, frequência cardíaca de 90 bpm, hemograma com 13100 leucócitos. Realiza ultrassom abdominal que indica espessamento da parede da vesícula, cálculo impactado no infundíbulo e Murphy ultrassonográfico presente. Qual seria a melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Colecistectomia aberta com incisão subcostal de Kocher.
  2. B) Cefalexina 500mg endovenosa de 6 x 6h por 14 dias.
  3. C) Hidratação endovenosa, analgesia, antibioticoterapia com ciprofloxacino emetronidazol e programar colecistectomia aberta em dois a três dias.
  4. D) Hidratação endovenosa, analgesia, antibioticoterapia com ciprofloxacino emetronidazol e programar a colecistectomia videolaparoscopica em dois ou três dias.
  5. E) Hidratação endovenosa, analgesia, antibioticoterapia com ciprofloxacino e metronidazol e programar colecistectomia videolaparoscopica em sete a oito dias.

Pérola Clínica

Colecistite aguda → hidratação, analgesia, ATB (cipro+metro), colecistectomia videolaparoscópica precoce (2-3 dias).

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor em HD, febre, leucocitose) e ultrassonográfico (espessamento da parede vesicular, cálculo impactado, Murphy positivo) são diagnósticos de colecistite aguda. A conduta inicial envolve estabilização clínica com hidratação, analgesia e antibioticoterapia de amplo espectro (ex: ciprofloxacino + metronidazol). A colecistectomia videolaparoscópica precoce (dentro de 72 horas do início dos sintomas) é a abordagem de escolha, pois reduz complicações e tempo de internação.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar, levando à estase biliar, inflamação e infecção secundária. É uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns, com incidência crescente em pacientes mais velhos e com comorbidades. O diagnóstico é clínico-laboratorial e radiológico, sendo a ultrassonografia abdominal o exame de primeira linha. O quadro clínico típico inclui dor intensa e contínua no hipocôndrio direito, febre, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo. Laboratorialmente, observa-se leucocitose com desvio à esquerda. A ultrassonografia revela espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular, cálculo impactado no infundíbulo e Murphy ultrassonográfico positivo. Os critérios de Tóquio são amplamente utilizados para padronizar o diagnóstico e classificar a gravidade. A conduta inicial para colecistite aguda envolve estabilização do paciente com hidratação venosa, analgesia e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos e anaeróbios (ex: ciprofloxacino + metronidazol). O tratamento definitivo é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica. A cirurgia precoce (dentro de 72 horas do início dos sintomas) é geralmente recomendada para pacientes estáveis, pois reduz a morbidade e o tempo de internação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colecistite aguda?

O diagnóstico de colecistite aguda baseia-se na presença de dor em hipocôndrio direito, sinais de inflamação sistêmica (febre, leucocitose) e achados de imagem compatíveis (espessamento da parede vesicular, cálculo impactado, Murphy ultrassonográfico).

Qual a antibioticoterapia recomendada para colecistite aguda?

A antibioticoterapia deve cobrir bactérias Gram-negativas e anaeróbios, sendo frequentemente utilizada a combinação de ciprofloxacino com metronidazol, ou cefalosporinas de terceira geração.

Por que a colecistectomia videolaparoscópica precoce é preferível na colecistite aguda?

A colecistectomia videolaparoscópica precoce (dentro de 72 horas do início dos sintomas) é preferível pois está associada a menor taxa de conversão para cirurgia aberta, menor tempo de internação e menor morbidade em comparação com a cirurgia tardia.

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