Colecistite Aguda: Diagnóstico e Sinais Chave

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina obesa de 11 anos apresenta dor epigástrica intensa no quadrante superior direito que ocasionalmente irradia para o flanco direito e para as costas, 2 horas após uma grande refeição. Exame físico: anictérica, afebril, dor à palpação do quadrante superior direito do abdome. Exames laboratoriais: alanina aminotransferase 44 U/L; aspartato aminotransferase 25 U/L; bilirrubina total 1,3 mg/dL; fosfatase alcalina 100 U/L; glóbulos brancos 14.500 mm³; amilase 67 U/L; lipase 55 U/L. US abdominal: espessamento da parede da vesícula biliar e sombreamento acústico posterior. O diagnóstico provável é

Alternativas

  1. A) pancreatite aguda.
  2. B) colecistite aguda.
  3. C) coledocolitíase.
  4. D) colangite.

Pérola Clínica

Menina obesa + dor QSD pós-refeição + leucocitose + USG com espessamento VB e sombreamento → Colecistite Aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa no quadrante superior direito (QSD) após refeição gordurosa, associado a leucocitose e achados ultrassonográficos de espessamento da parede da vesícula biliar e sombreamento acústico posterior (cálculos), é altamente sugestivo de colecistite aguda, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colelitíase). Embora mais comum em adultos, sua incidência tem aumentado em crianças e adolescentes, especialmente em pacientes obesos, devido à maior prevalência de colelitíase nessa população. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves, como perfuração da vesícula ou sepse. O diagnóstico de colecistite aguda é baseado na tríade de sintomas clínicos, achados laboratoriais e exames de imagem. Clinicamente, o paciente apresenta dor intensa e constante no quadrante superior direito do abdome, frequentemente irradiando para o dorso ou ombro direito, que piora após refeições gordurosas. Pode haver febre, náuseas e vômitos. Laboratorialmente, é comum encontrar leucocitose com desvio à esquerda. As enzimas hepáticas e a bilirrubina podem estar discretamente elevadas, mas elevações marcantes sugerem coledocolitíase ou colangite. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico. Achados típicos incluem cálculos biliares impactados no ducto cístico, espessamento da parede da vesícula biliar (>3mm), líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico. A ausência de elevação significativa de amilase e lipase ajuda a descartar pancreatite aguda. O tratamento geralmente envolve antibioticoterapia e colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica, após estabilização do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colecistite aguda?

Os principais sintomas incluem dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome, que pode irradiar para o ombro direito ou costas, frequentemente desencadeada ou agravada após refeições gordurosas, associada a náuseas, vômitos e febre.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da colecistite aguda?

A ultrassonografia é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de colecistite aguda. Ela pode identificar cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula biliar (>3mm), líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à compressão da vesícula com o transdutor).

Como diferenciar colecistite aguda de pancreatite aguda em um paciente com dor abdominal?

A diferenciação envolve a localização da dor (QSD na colecistite vs. epigástrica com irradiação para dorso na pancreatite), achados laboratoriais (elevação de amilase/lipase na pancreatite) e exames de imagem (USG para vesícula biliar na colecistite, TC para pâncreas na pancreatite).

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