HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
Um paciente de 48 anos, do sexo masculino, deu entrada ao pronto-socorro queixando- se de dor abdominal iniciada há 02 horas, de forte intensidade, localizada em região epigástrica, associada a náuseas vômitos. Qual associação entre o diagnóstico e sinais clínicos não está adequada?
Colecistite aguda não complicada raramente causa icterícia; suspeite de coledocolitíase ou colangite se presente.
A icterícia não é um achado típico da colecistite aguda não complicada, mas sim de obstrução biliar, como coledocolitíase ou colangite, que podem coexistir ou complicar o quadro. A colecistite aguda primariamente envolve inflamação da vesícula biliar.
O diagnóstico diferencial da dor abdominal aguda é um dos maiores desafios na prática médica, exigindo conhecimento aprofundado da semiologia e fisiopatologia. A capacidade de associar corretamente os sinais e sintomas a diagnósticos específicos é crucial para a tomada de decisão rápida e eficaz, especialmente em cenários de pronto-socorro. Erros nessa associação podem levar a atrasos no tratamento e piora do prognóstico do paciente. Condições como apendicite aguda, úlcera perfurada, colecistite e pancreatite aguda possuem apresentações clínicas distintas, mas que podem se sobrepor. A migração da dor na apendicite, o abdome em tábua na úlcera perfurada e os sinais de sangramento retroperitoneal (Grey-Turner, Cullen) na pancreatite grave são exemplos de achados específicos que guiam o diagnóstico. A icterícia, por sua vez, aponta para envolvimento das vias biliares ou disfunção hepática, sendo menos comum na colecistite aguda não complicada. Para residentes, é fundamental dominar esses conceitos para evitar armadilhas diagnósticas. A correta interpretação dos sinais e sintomas permite direcionar a investigação complementar (exames laboratoriais e de imagem) e iniciar o tratamento adequado, seja clínico ou cirúrgico, de forma oportuna, impactando diretamente a morbimortalidade dos pacientes.
A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas, vômitos e febre baixa. O sinal de Blumberg (descompressão brusca dolorosa) é comum.
O abdome em tábua é um sinal de peritonite difusa, causado pela irritação peritoneal severa devido ao extravasamento de conteúdo gástrico ou duodenal após a perfuração de uma úlcera. É um sinal de emergência cirúrgica.
A icterícia geralmente indica obstrução do fluxo biliar, como na coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum) ou colangite (infecção da via biliar). Embora possa ocorrer em colecistite aguda complicada, não é um achado primário da inflamação da vesícula.
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