Colecistite Aguda: Diagnóstico e Exame de Imagem Ideal

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 38 anos de idade, procurou o Pronto-Socorro com queixa de dor abdominal há 3 dias, em hipocôndrio direito, associada a náusea e episódios de febre. Nega episódios prévios semelhantes. Nega sintomas colestáticos. Nega alterações urinárias. Antecedentes pessoais: Obesidade Grau I. Ao exame clínico: bom estado geral, corada,hidratada e anictérica. Abdômen doloroso à palpação de hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo. Qual é a principal hipótese diagnóstica e o exame de imagem a ser solicitado?

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda / Tomografia de abdômen e pelve
  2. B) Colecistite aguda / Ultrassonografia de abdome superior
  3. C) Colangite aguda / Ultrassonografia de abdome superior
  4. D) Coledocolitíase / Colangiorressonância

Pérola Clínica

Dor HD + febre + náusea + Murphy positivo + sem icterícia = Colecistite Aguda → USG abdome superior.

Resumo-Chave

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada por obstrução do ducto cístico por um cálculo. A apresentação clássica inclui dor em hipocôndrio direito, febre, náuseas e vômitos, além do sinal de Murphy positivo. A ultrassonografia de abdome superior é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico, evidenciando cálculos, espessamento da parede da vesícula e líquido perivesicular.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma condição inflamatória comum da vesícula biliar, sendo a principal causa de dor abdominal aguda em hipocôndrio direito. Geralmente, é precipitada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colelitíase), levando à estase biliar, distensão da vesícula e inflamação. A epidemiologia mostra maior prevalência em mulheres, indivíduos obesos, multíparas e com idade avançada, fatores presentes na paciente do enunciado. Clinicamente, a colecistite aguda manifesta-se com dor intensa e persistente no hipocôndrio direito, que pode irradiar para o dorso ou ombro direito. É comum a associação com náuseas, vômitos e febre. O sinal de Murphy, dor à palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda, é um achado clássico e altamente sugestivo. A ausência de icterícia é um ponto importante para diferenciá-la de outras patologias biliares, como a colangite aguda ou coledocolitíase. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia de abdome superior, que é o exame de imagem de primeira linha. Este exame permite visualizar cálculos na vesícula, espessamento da parede vesicular (>3-4 mm), líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico. O tratamento inicial envolve analgesia, hidratação, antibioticoterapia e, na maioria dos casos, colecistectomia laparoscópica, preferencialmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas. Para residentes, o reconhecimento rápido dos sinais e sintomas e a solicitação do exame de imagem correto são cruciais para um manejo adequado e evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da colecistite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor intensa e persistente no hipocôndrio direito (que pode irradiar para o ombro ou escápula direita), febre, náuseas, vômitos e, frequentemente, o sinal de Murphy positivo ao exame físico.

Por que a ultrassonografia de abdome superior é o exame de escolha para colecistite aguda?

A ultrassonografia é o exame de escolha por ser não invasiva, de baixo custo, amplamente disponível e capaz de identificar cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular e o sinal de Murphy ultrassonográfico.

Como diferenciar colecistite aguda de colangite aguda?

A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente sem icterícia. A colangite aguda é a infecção das vias biliares, caracterizada pela tríade de Charcot (dor HD, febre, icterícia) ou pêntade de Reynolds (Charcot + hipotensão, alteração do estado mental).

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