Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma mulher de cinquenta anos de idade, com único antecedente de colelitíase, foi admitida no pronto-socorro devido à dor abdominal iniciada havia dois dias. De acordo com o relato da paciente, tratava-se de dor de início súbito, localizada no andar superior do abdome, de forte intensidade, em cólica, sem irradiação e refratária ao uso de escopolamina. A paciente não apresentava sinais de sepse, e o exame físico abdominal indicava defesa no hipocôndrio direito; o sinal de Murphy era negativo. Realizou uma ultrassonografia de abdome, que mostrou uma vesícula biliar distendida, de paredes espessadas e com cálculo de 2 cm impactado em seu infundíbulo, sem dilatação da via biliar. Os exames laboratoriais mostravam 8.000 leucócitos por mm³(normal: de 4.000 até 10.000), amilase de 250 UI/L (normal: até 125 UI/L) e bilirrubinas normais.Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta a ser adotada nesse caso hipotético.
Colecistite aguda sem sepse, cálculo impactado → colecistectomia videolaparoscópica precoce.
O quadro clínico e ultrassonográfico (vesícula distendida, paredes espessadas, cálculo impactado) são altamente sugestivos de colecistite aguda, mesmo com Murphy negativo e leucócitos normais. A elevação da amilase pode indicar irritação pancreática adjacente. A conduta definitiva é a colecistectomia.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar. É uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns. O diagnóstico é feito pela combinação de sintomas clínicos (dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos), sinais de inflamação sistêmica (febre, leucocitose) e achados de imagem, principalmente ultrassonografia. No caso descrito, a paciente apresenta dor abdominal súbita e intensa, antecedente de colelitíase, defesa em hipocôndrio direito e ultrassonografia com vesícula distendida, paredes espessadas e cálculo impactado. Embora o sinal de Murphy seja negativo e os leucócitos estejam dentro da normalidade, a amilase elevada (indicando irritação pancreática adjacente, não necessariamente pancreatite aguda) e os achados ultrassonográficos são altamente sugestivos de colecistite aguda. A colecistectomia videolaparoscópica é o tratamento definitivo e de escolha para a colecistite aguda. A cirurgia precoce, idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, está associada a menor morbidade e menor taxa de conversão para cirurgia aberta. O tratamento conservador inicial (jejum, hidratação, analgesia) é uma medida de suporte, mas não resolve a causa subjacente e pode atrasar a resolução definitiva, aumentando o risco de complicações.
O diagnóstico de colecistite aguda baseia-se em dor no hipocôndrio direito, febre, leucocitose e achados de imagem (USG) como espessamento da parede vesicular, cálculo impactado e líquido perivesicular.
A colecistectomia videolaparoscópica é o tratamento definitivo para colecistite aguda. Realizada precocemente, reduz o risco de complicações, como perfuração e sepse, e o tempo de internação.
Não, o sinal de Murphy negativo não exclui colecistite aguda, especialmente em idosos, pacientes imunocomprometidos ou na presença de outros achados clínicos e de imagem sugestivos.
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