Colecistectomia Urgência: Antibioticoterapia e Vazamento Biliar

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 74 anos, diabética, com quadro de colecistite foi submetida a uma colecistectomia por videolaparoscopia de urgência, durante a qual houve vazamento de bile. Com relação à antibioticoterapia para esse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Não há indicação de antibioticoterapia profilática, pois a bile é um fluido orgânico e estéril, e a cirurgia pode ser considerada limpa.
  2. B) O tempo ideal para administrar a antibioticoprofilaxia é de 6 a 8h antes da incisão, o que inviabiliza seu uso em uma cirurgia de urgência, como a apresentada.
  3. C) Se for indicado o emprego de dreno abdominal, a utilização de antibióticos, neste caso, é dispensável.
  4. D) Na utilização de antibióticos para os casos como o dessa paciente, geralmente são empregados a ceftriaxona e metronidazol.
  5. E) A classificação esperada da ferida do procedimento cirúrgico planejado é indiferente na decisão do espectro antibiótico adequado.

Pérola Clínica

Colecistectomia com vazamento biliar → ATB empírica cobre Gram-negativos e anaeróbios (ex: Ceftriaxona + Metronidazol).

Resumo-Chave

Em cirurgias de urgência para colecistite, especialmente com vazamento de bile, a antibioticoterapia é terapêutica e não apenas profilática. A cobertura deve ser ampla para bactérias Gram-negativas entéricas (comuns no trato biliar) e anaeróbios. A combinação de ceftriaxona (cefalosporina de 3ª geração) e metronidazol é uma escolha comum e eficaz para esse espectro.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma condição inflamatória da vesícula biliar, frequentemente associada à obstrução do ducto cístico por cálculos. Em pacientes idosos e diabéticos, como no caso apresentado, a doença pode ter um curso mais grave e um risco aumentado de complicações infecciosas. A colecistectomia é o tratamento definitivo, e em situações de urgência, a abordagem cirúrgica e a antibioticoterapia devem ser rápidas e eficazes. O vazamento de bile durante a colecistectomia transforma um procedimento que poderia ser classificado como potencialmente contaminado em um procedimento contaminado ou até sujo, dependendo da extensão e do grau de infecção preexistente. Nesses casos, a antibioticoterapia não é meramente profilática, mas terapêutica, visando tratar uma contaminação bacteriana já presente ou iminente na cavidade abdominal. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns no trato biliar, que incluem bactérias Gram-negativas entéricas (como E. coli, Klebsiella) e anaeróbios (Bacteroides fragilis). A combinação de ceftriaxona (uma cefalosporina de terceira geração com boa atividade contra Gram-negativos) e metronidazol (eficaz contra anaeróbios) é uma escolha padrão e amplamente recomendada para infecções intra-abdominais e biliares complicadas. O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível e ajustado conforme a resposta clínica e os resultados de culturas, se disponíveis. A duração da antibioticoterapia dependerá da gravidade da infecção e da resposta do paciente.

Perguntas Frequentes

Quando a antibioticoterapia é indicada na colecistite aguda?

A antibioticoterapia é indicada na colecistite aguda, especialmente em casos de colecistite complicada (com gangrena, perfuração, empiema), em pacientes idosos, diabéticos ou imunocomprometidos, e em cirurgias de urgência com risco de contaminação.

Por que a combinação de ceftriaxona e metronidazol é eficaz para infecções biliares?

A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com excelente cobertura para bactérias Gram-negativas entéricas, que são os principais patógenos em infecções biliares. O metronidazol é adicionado para cobrir bactérias anaeróbias, que também são frequentemente encontradas nessas infecções, garantindo um espectro amplo.

Qual a diferença entre antibioticoprofilaxia e antibioticoterapia em cirurgia?

A antibioticoprofilaxia é administrada antes da incisão cirúrgica para prevenir infecções em cirurgias limpas ou potencialmente contaminadas. A antibioticoterapia é o tratamento de uma infecção já estabelecida ou de alto risco, como em cirurgias contaminadas ou sujas, e é mantida por um período mais longo.

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