HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Maria de 37 anos vem ao pronto-socorro do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde com dor no epigástrio irradiada para o hipocôndrio direito, que se iniciou algumas horas após o jantar. Diz que já teve alguns episódios semelhantes, que se resolviam em poucas horas. No entanto, agora a dor não passa. Diz ter tido febre (não mediu) e um episódio de vômito não bilioso. Qual é a causa mais provável da dor desta senhora?
Dor epigástrica/HCD pós-prandial, febre, vômito, histórico similar = Colecistite aguda.
O quadro clínico de dor no epigástrio irradiada para o hipocôndrio direito, que se inicia após o jantar, com febre, vômito e histórico de episódios semelhantes, é altamente sugestivo de colecistite aguda, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar.
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo biliar (colelitíase). É uma condição comum que requer atenção médica e, frequentemente, intervenção cirúrgica. A epidemiologia mostra maior prevalência em mulheres, pessoas obesas, multíparas e com mais de 40 anos (regra dos '4 Fs': female, fat, fertile, forty). A compreensão de sua apresentação clínica é vital para o diagnóstico precoce e manejo adequado. O quadro clínico típico envolve dor abdominal no quadrante superior direito ou epigástrio, que pode ser constante e intensa, frequentemente irradiando para o ombro direito ou dorso. A dor é classicamente precipitada por refeições gordurosas. Sintomas associados incluem náuseas, vômitos, febre e, no exame físico, o sinal de Murphy positivo (dor à palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda). O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que pode revelar cálculos, espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e um sinal de Murphy ultrassonográfico. O tratamento inicial envolve repouso intestinal, hidratação venosa, analgesia e antibioticoterapia para cobrir germes entéricos. O tratamento definitivo é a colecistectomia, preferencialmente laparoscópica, que deve ser realizada precocemente (nas primeiras 72 horas) para reduzir complicações e o tempo de internação. Para residentes, a capacidade de diagnosticar e manejar a colecistite aguda é uma habilidade essencial, pois é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns.
Os sintomas clássicos da colecistite aguda incluem dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome ou epigástrio, que pode irradiar para o ombro direito ou dorso. Frequentemente, é acompanhada de náuseas, vômitos, febre e leucocitose. A dor geralmente piora após refeições gordurosas.
O diagnóstico da colecistite aguda é baseado na tríade de dor abdominal típica, febre e leucocitose, associada a achados de imagem. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha, mostrando cálculos biliares, espessamento da parede da vesícula biliar, líquido pericolecístico e um sinal de Murphy ultrassonográfico positivo.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem pancreatite aguda, úlcera péptica perfurada, hepatite aguda, apendicite retrocecal, pneumonia de base direita e cólica biliar. A história clínica detalhada, exame físico e exames complementares são cruciais para a diferenciação.
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